CCJ aprova regras para cidades resolverem conflitos de terra

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CCJ aprova regras para cidades resolverem conflitos de terra

Lúcia L.F
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Deputado Hildo Rocha, sentado a mesa do parlamento olhando e lendo o papel.Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Um distrito pode “mudar de cidade” sem criar novos municípios. A CCJ da Câmara aprovou um projeto que simplifica esse processo, pensando em comunidades que se identificam mais com a vizinhança.

Pense num bairro ou distrito que, no dia a dia, já é praticamente parte de outra cidade. O comércio, o trabalho, a vida social — tudo acontece do lado de lá da divisa. Esse cenário comum, mas cheio de complicações jurídicas, está perto de ter um caminho mais claro para se resolver.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou uma proposta que disciplina os procedimentos para solucionar esses conflitos territoriais entre municípios do mesmo estado. — A regra, porém, vem com um limite: não pode gerar um novo município.

Do estudo ao voto: o passo a passo da mudança

O procedimento não é simples, mas foi simplificado. A ideia é dar agilidade a um processo que hoje é um labirinto burocrático.

Tudo começa na Assembleia Legislativa, que elabora um estudo de viabilidade — econômica, financeira e fiscal. A população da área diretamente afetada precisa ser consultada. Depois, os deputados estaduais aprovam um decreto para realizar um plebiscito.

Aqui, um detalhe estratégico: se a consulta popular for feita junto com eleições gerais ou municipais, o decreto deve ser aprovado com até 90 dias de antecedência. E tem mais — um ano antes do Censo de 2030, todos os processos ficam suspensos, só retomando após a divulgação dos resultados.

E o dinheiro? A conta fecha?

Uma das questões mais sensíveis é o repasse de verbas federais, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A nova divisão do bolo só começa a valer depois do fim do ano seguinte à aprovação da lei estadual que definir os novos limites.

Ou seja, os municípios terão um período de adaptação antes do impacto no caixa. O projeto estabelece um prazo de dez anos, a partir de sua vigência, para que os desmembramentos sejam realizados.

“Falta de identidade” com a cidade de origem

O relator, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), foi direto ao ponto ao explicar a motivação da proposta. Para ele, é comum moradores de certas áreas não se sentirem parte do município onde estão registrados.

“Em grande medida, a origem desse problema remonta ao século passado, quando a definição dos municípios era feita sem os recursos tecnológicos hoje disponíveis”, afirmou Rocha.

O resultado prático dessa indefinição? Serviços públicos precários em um limbo territorial. A solução proposta é o desmembramento para incorporação ao município vizinho — desde que a maioria da população dos dois lados concorde.

A proposta, que já teve a urgência aprovada, segue agora para o Plenário da Câmara. A questão que fica é: será que, após décadas de espera, essas comunidades finalmente encontrarão seu lugar no mapa?

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