✦ Resumo

Pesquisa revela que 40% dos brasileiros que notaram sangue nas fezes não buscaram ajuda médica imediata, e 67% desconhecem o exame preventivo de sangue oculto nas fezes, aumentando o risco de diagnóstico tardio do câncer colorretal.

intestino
Foto de Aakash Dhage na Unsplash

Oito em cada dez brasileiros sabem que sangue nas fezes e mudança no funcionamento do intestino por mais de um mês são sinais graves. Só que quase metade não procura ajuda médica com rapidez. O alerta é de um levantamento inédito do Hospital A. C. Camargo em parceria com a Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas sobre o câncer colorretal e seus sintomas.

Os números acendem um sinal vermelho. A pesquisa indica que 9% dos entrevistados já notaram a presença de sangue nas fezes. Desses, 59% buscaram atendimento médico imediatamente. O problema é o restante: 40% não tiveram essa reação. A ficha caiu tarde para muitos. Entre eles, 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.

Desconhecimento sobre exame preventivo

Dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), principal recurso para identificar sinais da doença antes dos sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram. O desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e é maior entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e quem estudou apenas até o ensino fundamental (72%).

Resultado: quem paga a conta é o morador, que adia a prevenção e só descobre o problema em estágio avançado. A pesquisa também mostra que apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve a doença — 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido. Outros 75% nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer.

Diagnóstico precoce salva vidas

Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, reforçou que, diante do aumento de casos no Brasil, é importante não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente. “Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, ressaltou Aguiar.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028. O tumor é o segundo com maior incidência entre os brasileiros. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas. Esse tipo de câncer é o mesmo que levou à morte da cantora Preta Gil, em julho do ano passado, depois de dois anos de tratamento.

Na prática, ignorar os sintomas ou desconhecer os exames preventivos pode custar caro. O alerta dos especialistas é claro: sangue nas fezes ou alteração intestinal por mais de um mês merecem investigação imediata. Passou da hora de levar esses sinais a sério.

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Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.