✦ Resumo

Brasília terá Universidade Indígena e do Esporte a partir de 2027, após projetos de lei enviados por Lula ao Congresso.

Presidente Lula e ministros com a assinatura para projeto de duas universidades, a indígena e a do esporte
© Agência Brasil

Dois projetos de lei assinados por Lula chegam ao Congresso para criar a Unind e a UFEsporte. A aposta é reparar históricas dívidas sociais e revolucionar a formação de atletas no país.

O presidente Lula enviou ao Congresso Nacional, nesta quinta-feira (27), os projetos que criam a Universidade Federal Indígena (Unind) e a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte). A previsão é que as duas instituições, inéditas no país, abram suas portas em 2027.

A iniciativa vai além da simples abertura de novos campi. É um movimento político e civilizatório. Enquanto os colonizadores tentaram apagar a memória dos povos originários, a Unind surge para devolver a cidadania e o respeito.

“Esta universidade é uma coisa necessária para dar a vocês um direito que nunca deveria ter sido tirado”, afirmou Lula, em um discurso emocionado. O presidente foi direto: além de demarcar terras, é dever do Estado garantir que os indígenas vivam com dignidade, longe da violência cultural.

Reconhecimento e Reparação

Para o professor e líder indígena Gersem Baniwa, a Unind representa o início do fim da “última fronteira da colonização: o muro da violência cognitiva e epistêmica”. Em outras palavras, é a quebra de um modelo educativo que sempre impôs um único saber — o europeu — como o único válido.

— A universidade indígena é parte de um projeto civilizatório que reconhece os povos indígenas como produtores de conhecimento — defende Baniwa.

A Unind, que terá sede em Brasília e estrutura multicampi, será um instrumento de autodeterminação. Seus processos seletivos próprios vão priorizar a diversidade linguística e cultural do país. A ideia é que jovens indígenas possam estudar a partir de suas próprias referências, sem precisar deixar seus territórios.

Mais que Atletas

Do outro lado do tablado, a UFEsporte nasce com uma missão clara: acabar com a cultura do “milagre” no esporte brasileiro. Lula foi categórico. “A iniciativa privada só entra no jogo quando o cara já é famoso”, criticou, lembrando que muitos talentos se perdem por falta de suporte básico.

“Ninguém vai conseguir fazer um Pelé na universidade”, brincou. “Mas o que a gente vai fazer é dar condições científicas e técnicas para aperfeiçoar aquilo que a pessoa já tem.”

A atleta paralímpica Verônica Hipólito ecoou o coro pela transversalidade do esporte. “O esporte é educação, é saúde, é sobre mobilidade, sustentabilidade. O esporte é sobre tudo”, disse, defendendo que a nova universidade seja acessível e diversa desde sua fundação.

Estrutura e Alcance

Unind começará com 10 cursos de graduação, com planos de expansão para até 48. As áreas de conhecimento priorizam os interesses dos povos indígenas: gestão territorial, políticas públicas, línguas indígenas, agroecologia e formação de professores. A meta é atender 2,8 mil estudantes nos primeiros quatro anos.

Já a UFEsporte, também com sede em Brasília, se espalhará por centros de excelência em todas as regiões, aproveitando até a infraestrutura das Olimpíadas de 2016. Oferecerá desde cursos de gestão e marketing esportivo até medicina esportiva e nutrição.

Inclusão como Diretriz

A proposta da universidade do esporte não foge da luta social. Ela incorpora o combate ao racismo e a promoção da equidade de gênero como pilares. Os números mostram a urgência: um levantamento de 2023 revela que 41% das pessoas negras e 31% das indígenas no futebol já sofreram racismo.

Carregando comentários...

Os comentários para este post foram encerrados (mais de 30 dias).

Encontrou algum erro? Entre em contato
Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.