Onze escolas da rede estadual da Bahia estão representando o estado no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, em Brasília. O evento, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), começou na terça-feira (24) e segue até esta quinta-feira (26). A iniciativa reúne experiências de todo o país para fortalecer a educação científica, com participação direta da Secretaria da Educação do Estado (SEC).
A presença baiana no encontro federal reflete uma política estadual de longo prazo. O Programa Ciência na Escola da SEC foi criado em 2012 e, desde então, estimula a investigação científica dentro das salas de aula. “A SEC apoia professores e estudantes com iniciativas como carga horária para clubes de ciência, bolsas e editais que garantem participação em eventos científicos”, afirmou o coordenador do programa, Abílio Peixoto. O alinhamento com o programa nacional Mais Ciência na Escola, que chegou às unidades estaduais em 2025, potencializou essas ações.
Para quem vive a experiência, o impacto é imediato e transformador. “Nunca imaginei viajar de avião para apresentar minhas experiências. Esta oportunidade mudou a minha vida”, relatou o estudante Daimon Daniel Santiago dos Santos, do Colégio Estadual Dois de Julho, em Salvador. O diretor da mesma unidade, Silvonilton Carvalho Bastos, vê seu papel como realizador de sonhos. “Ver nossos alunos participando de um evento como este é motivo de grande emoção”, destacou.
Como a Bahia financia a ciência nas escolas públicas?
Além do estímulo pedagógico, a SEC oferece suporte financeiro concreto. O Programa Da Bahia para o Mundo garante recursos para passagens, diárias e inscrições em eventos científicos dentro e fora do país. Essa verba abre portas que, de outra forma, permaneceriam fechadas. O professor Daniel Santiago, também do Dois de Julho, enxerga o crescimento. “Estar neste encontro com os estudantes é possibilitar um crescimento sem precedentes”, acrescentou.
A mobilização é territorialmente diversa. Participam escolas de sete municípios baianos: Salvador, Juazeiro, Cachoeira, Santa Cruz de Cabrália, Mairi, Mucugê e Jequié. A lista inclui unidades com perfis específicos, como o Colégio Estadual Quilombola da Bacia do Iguape e o Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha.
O que muda no cotidiano das escolas?
A ciência deixa de ser teoria distante e vira prática diária. No Colégio Democrático Estadual Professora Florentina Alves dos Santos (CODEFAS), em Juazeiro, a cultura científica já está enraizada. “A Bahia construiu uma trajetória sólida na educação científica, com clubes de ciência, feiras e acesso a tecnologias que fortalecem o aprendizado prático”, afirmou a professora Vanessa Chaves. O resultado é uma geração que não apenas consome conhecimento, mas o produz desde o ensino médio.
As estudantes Mara Viana e Milena Nogueira, do CODEFAS, sentem na pele essa mudança. “A implementação de laboratórios amplia nossas perspectivas e inspira novos caminhos”, ressaltou Mara. “As iniciativas possibilitam ir além da teoria e impulsionam a produção de conhecimento”, completou Milena. A conta é clara: investimento em estrutura e oportunidade gera protagonismo estudantil. E a história se repita, agora em um palco nacional.