O Governo da Bahia publicou a licitação para a construção de oito centros de cultura indígenas em diferentes regiões do estado. A ação, realizada em parceria entre a Secretaria de Cultura (Secult-BA) e a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), conta com um investimento de R$ 2,7 milhões da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) Bahia. Os espaços serão implantados em aldeias de cinco territórios de identidade, beneficiando cerca de 200 famílias.
Na prática, os centros têm como foco a valorização dos saberes tradicionais e o incentivo à economia da cultura, especialmente por meio da produção e comercialização do artesanato. A proposta é fortalecer identidades, estimular o turismo cultural e ampliar as oportunidades de geração de renda. O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, destacou o compromisso com a valorização dos povos originários, em uma ação construída em parceria entre os governos federal e estadual.
Onde serão construídos os novos centros indígenas?
A licitação, publicada no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (27), prevê a construção dos equipamentos em oito aldeias específicas. A lista abrange municípios de diferentes regiões, demonstrando a abrangência da iniciativa. Os locais escolhidos são:
- Itajú do Colônia – Aldeia Bahetá
- Santa Cruz de Cabrália – Aldeia Mata Medonha
- Paulo Afonso – Aldeia Kariri Xocó
- Glória – Aldeia Pankararé
- Una – Aldeia Serra do Padeiro
- Rodelas – Aldeia Tuxá
- Curaçá – Aldeia Missão Velha
- Alcobaça – Aldeia Renascer
Para a superintendente de Políticas para os Povos Indígenas do Estado, Patrícia Pataxó, a iniciativa promove desenvolvimento com respeito à cultura e à autonomia dos territórios. Ela avalia que os centros vão valorizar saberes, impulsionar o artesanato e fomentar o turismo, exaltando identidades e modos de vida. Osni Cardoso, secretário de Desenvolvimento Rural, reforçou que a ação cria oportunidades concretas de geração de renda e desenvolvimento sustentável.
Iniciativa integra pacote estadual de R$ 500 milhões
Esta ação não está isolada. Ela integra um pacote maior de R$ 500 milhões anunciado pelo Governo da Bahia para os povos indígenas, contemplando também iniciativas nas áreas de produção, habitação e regularização fundiária. Entre elas está o edital do projeto Bahia que Produz e Alimenta, com previsão de beneficiar até 4 mil famílias, e a construção de unidades habitacionais rurais destinadas a essas comunidades. O resultado é uma política que, ao levar infraestrutura cultural para dentro dos territórios, busca transformar preservação em oportunidade econômica real.
O fato é que a conta da invisibilidade histórica é alta. Agora, a pergunta que fica é se a chegada desses centros conseguirá, de fato, conectar o saber tradicional ao mercado, gerando o ciclo virtuoso de renda e autoestima que as comunidades aguardam.