AGU vai à Justiça para recuperar mais R$ 135 milhões desviados do INSS

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AGU vai à Justiça para recuperar mais R$ 135 milhões desviados do INSS

P. Fonseca
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Prédio da Previdência Social© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A batalha judicial para recuperar bilhões desviados de aposentados ganha mais um capítulo. A Advocacia-Geral da União entrou com novas ações para cobrar R$ 135 milhões de entidades suspeitas de fraudes nos descontos de benefícios.

A nova frente de batalha judicial

A Advocacia-Geral da União (AGU) não tirou férias. Antes mesmo do recesso de fim de ano, ajuizou um novo pacote de ações regressivas — o quarto lote — mirando o bolso de entidades associativas. O alvo: R$ 135 milhões que teriam sido desviados de aposentadorias e pensões do INSS através de descontos fraudulentos.

A estratégia é clara e segue um roteiro já conhecido: cobrar das associações o dinheiro que o Instituto Nacional do Seguro Social já precisou repor no bolso de milhões de beneficiários lesados. Este, segundo a AGU, seria o último lote focado especificamente nessas entidades.

O rastro de prejuízo: bilhões já devolvidos aos aposentados

Para dimensionar o estrago, basta olhar os números. Só para reparar o dano inicial, o INSS já desembolsou R$ 2,74 bilhões. A conta foi alta: mais de 4 milhões de pessoas tiveram valores cortados de seus benefícios sem autorização ou com documentos fraudados.

Do outro lado da trincheira, a Justiça trava uma batalha patrimonial. Das 37 ações cautelares já movidas — que somam a astronômica cifra de R$ 6,6 bilhões em pedidos de bloqueio —, o juiz concordou com o sequestro de R$ 4,4 bilhões. Mas aí entra o problema operacional: localizar os bens.

A corrida contra o tempo para bloquear patrimônio

A teoria é uma coisa, a prática, outra. Até agora, os esforços de rastreamento conseguiram encontrar “apenas” R$ 514 milhões em patrimônio passível de bloqueio. O montante está espalhado em saldos bancários, 17 imóveis e 76 veículos ligados aos investigados.

É uma corrida contra o tempo e contra a ocultação de ativos. Enquanto a decisão judicial é rápida, a materialização do bloqueio esbarra na complexidade de localizar e penhorar bens antes que sumam do mapa.

Quem são as entidades acionadas neste novo lote?

A lista do quarto lote traz nomes de peso do associativismo. A AGU cobra judicialmente que devolvam os valores desviados:

  • Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares (Contag)

  • Sindicato Nacional dos Aposentados do Brasil (Sinab)

  • Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários (FITF/CNTT/CUT)

  • Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Contraf)

  • Associação dos Servidores do Tráfego da Viação Férrea Centro Oeste (ASTRE)

  • Sindicato dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (SindaPB)

  • Instituto de Longevidade Mongeral Aegon (Unidos)

  • Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sintapi-CUT)

Elas se somam a outras oito entidades do terceiro lote, protocolado em dezembro, incluindo a Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação (Abapen) e o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da UGT (Sindiapi-UGT).

A pergunta que fica, enquanto a Justiça trabalha para desfazer o nó, é quem de fato paga a conta no final. Os cofres públicos, que já ressarciram os aposentados, ou as entidades que supostamente promoveram os descontos irregulares? A resposta, agora, depende da eficácia da penhora e de medidas como o controle de fronteiras e custódia para evitar que recursos sumam. O governo federal, por sua vez, tem buscado reforçar suas finanças com medidas como o orçamento de R$ 6,5 trilhões e grandes aportes, a exemplo do empréstimo de R$ 12 bilhões para reestruturação dos Correios. Enquanto isso, o Poder Judiciário segue atuando em casos de alto impacto, com decisões que vão desde o mandado de prisão em casa para condenados por golpe até o mantimento de diretor do BC em acareação. Em paralelo, o presidente Lula exige expulsão de servidor da CGU após denúncias de irregularidades, mostrando a atuação em outras frentes de controle.

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