A sentença chegou. Nesta terça (25), o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus seis principais aliados começaram a cumprir as penas pelos crimes da trama golpista. A decisão da Primeira Turma do STF põe fim a um dos capítulos mais sombrios da política recente.
O cenário é de porta fechada e decisão irrevogável. Nesta terça-feira (25), o Supremo Tribunal Federal (STF) sacramentou o destino de Jair Bolsonaro e seis de seus aliados mais próximos, determinando o início do cumprimento de pena pelos crimes cometidos no âmbito do Núcleo 1 da trama golpista.
A condenação, decidida em 11 de setembro por 4 votos a 1, veio carregada de gravidade. A Primeira Turma do tribunal considerou os réus culpados por um pacote de crimes que atacou o coração da democracia: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
— O país ainda respira o ar pesado de quem saiu de um pesadelo — e a sentença tenta ser o despertar.
Os Homens e as Penas
A operação para recolher os condenados foi rápida. A lista de condenados lê-se como uma ata do alto escalão do último governo. As penas, medidas em anos, tentam mensurar o estrago causado à institucionalidade.
— Jair Bolsonaro, ex-presidente: 27 anos e 3 meses. Preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
— Walter Braga Netto, ex-ministro: 26 anos. Custodiado na Vila Militar, no Rio.
— Almir Garnier, ex-comandante da Marinha: 24 anos. Preso nas Instalações da Estação Rádio da Marinha, em Brasília.
— Anderson Torres, ex-ministro da Justiça: 24 anos. No 19º Batalhão da PM, no Complexo da Papuda.
— Augusto Heleno, ex-ministro do GSI: 21 anos. Recolhido ao Comando Militar do Planalto (CMP).
— Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa: 19 anos. Também no CMP.
E há um nome que destoa do grupo, não pelo crime, mas pela localização. Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias. Só que ele não está no plano original. Está foragido — a justiça brasileira sabe o endereço: Miami, Estados Unidos.
O Delator e a Prisão Antecipada
Enquanto o núcleo duro vai para a cela, uma figura chave respira alívio. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, também foi condenado pelos mesmos crimes. A diferença veio da caneta da delação premiada. O acordo lhe garantiu uma pena de 2 anos em regime aberto — e a liberdade para contar o que sabe. No início do mês, ele já retirou a tornozeleira eletrônica perante o STF.
Já Bolsonaro sentiu o peso da lei antes do veredito final. Desde sábado (22), ele cumpria prisão preventiva por determinação do ministro Alexandre de Moraes. O motivo? Violar a tornozeleira eletrônica. Em audiência de custódia, o ex-presidente confessou o ato e atribuiu a um surto de “paranoia” causado por remédios.
Uma justificativa que, para muitos, soa como o último capítulo de uma era marcada pelo confronto às instituições. Agora, as celas se fecham. O que fica é a pergunta: as penas serão suficientes para curar as feridas abertas no tecido democrático?
