A moeda americana segue em trajetória de queda e já acumula uma desvalorização de mais de 12% no ano. O movimento é puxado pela perspectiva de alívio na política monetária dos Estados Unidos.
O vento começa a virar para o bolso do brasileiro. Nesta segunda-feira (24), o dólar fechou em queda, negociado a R$ 5,3951, e manteve-se abaixo da barreira psicológica dos R$ 5,40. A moeda já acumula uma perda expressiva de 12,69% em 2025, um alívio para quem precisa importar produtos ou planeja uma viagem ao exterior.
O motor principal por trás dessa baqueada está do outro lado do equador. O mercado respira aliviado com a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, finalmente anuncie um corte em sua taxa de juros ainda em dezembro. Um dinheiro mais barato lá fora tira o fôlego do dólar por aqui.
Mas a festa tem seu preço — e um sinal de atenção.
Enquanto os ventos internacionais sopram a favor, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fez questão de acender uma luz amarela. Em evento da Febraban, em São Paulo, ele deixou claro que a autarquia não está satisfeita com o patamar teimoso da inflação. “Que ainda não convergiu para a meta de 3%”, frisou. É justamente por isso, explicou, que os juros brasileiros seguem travados em um patamar “restritivo”.
Galípolo foi direto: “Gostaríamos que a inflação estivesse convergindo mais rápido, mas existe um custo, um trade-off“. A mensagem é clara: baixar os juros agora, com a inflação ainda resistente, poderia custar caro no futuro.
E afinal, como anda a inflação?
O último Boletim Focus trouxe um cenário de claros e escuros. Pela segunda semana seguida, a projeção do mercado para o IPCA de 2025 ficou abaixo do teto da meta, agora em 4,45%. O otimismo veio após o resultado de outubro (0,09%) — o menor para o mês desde 1998.
No entanto, esse número ainda está bem longe do centro da meta de 3%. E é esse o grande nó que amarra a Selic nos atuais 15% ao ano. O Focus ainda mostra que o mercado praticamente não espera alívio nos juros em 2025, mantendo a projeção no patamar atual de 15%. Só em 2026 a visão começa a mudar, com uma revisão para baixo, de 12,25% para 12%.
Enquanto o mundo espera pelo Fed, o Brasil enfrenta seu próprio dilema: comemorar a moeda estrangeira mais barata ou se preocupar com os juros que teimam em não cair. O caminho para uma economia mais leve, ao que parece, ainda é longo e cheio de curvas.
