Dólar sobe e Bolsa cai após incerteza com juros nos EUA

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Dólar sobe e Bolsa cai após incerteza com juros nos EUA

P. Fonseca
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Notas de dolarna mesa© Valter Campanato/Agência Brasil

A ata do Federal Reserve (Fed) revelou um comitê dividido e jogou um balde de água fria no mercado. O dólar subiu para R$ 5,34, e a Bolsa brasileira recuou, fechando em terreno negativo.

O clima de euforia com os cortes de juros nos Estados Unidos deu lugar à cautela. A revelação de que o Federal Reserve (Fed) não fala a mesma língua internamente sobre novos cortes foi o suficiente para esfriar os ânimos e causar um dia de turbulências no mercado financeiro.

— A divisão no Fed joga uma nuvem de incerteza sobre dezembro. E o mercado, claro, não gosta disso — explica um analista.

O resultado foi um movimento duplo: o dólar comercial fechou a R$ 5,338, uma alta de 0,38%, alcançando seu patamar mais alto em quase duas semanas. Já o Ibovespa, principal índice da B3, cedeu 0,73% e retornou aos 155 mil pontos.

Por que o Brasil sente o baque?

A lógica é direta. Quando a economia mais poderosa do mundo sinaliza que pode manter os juros altos por mais tempo, o apetite por risco diminui. Os investidores globais, então, sacam seu dinheiro de países emergentes, como o Brasil, e correm para a “segurança” do mercado americano.

Essa fuga de capitais pressiona o câmbio — o dólar sobe — e derruba as ações por aqui.

E o efeito não é teórico. O setor de commodities sentiu o tombo, e as ações de bancos também amargaram quedas, influenciadas pela liquidação extrajudicial do Banco Master.

A pergunta que fica é: até quando o Brasil vai continuar refém do humor do Fed? Enquanto nossa economia não der passos mais firmes para gerar confiança interna, os ventos de Washington seguirão definindo parte do nosso ritmo. Não é brincadeira.

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