Mais que um prato de comida: reconhecimento em forma de acolhimento
Enquanto a cidade pulsa ao som dos trios, um exército silencioso trabalha. São homens e mulheres que garantem que a maior festa de rua do planeta não vire um imenso depósito a céu aberto. Este ano, esses catadores de materiais recicláveis terão um apoio concreto. A Prefeitura de Salvador preparou cerca de dez mil refeições para eles durante os seis dias de Carnaval. A ação faz parte do programa Catafolia, que chega à sua oitava edição com um objetivo claro: oferecer dignidade a quem é essencial para a sustentabilidade da festa. A partir de quinta-feira (12), duas bases de apoio entram em funcionamento. Uma na Escola Municipal Permínio Leite, no Dois de Julho. Outra no CAS Wilson Lins, em Ondina. Elas abrem às 7h e fecham às 13h, oferecendo muito mais que comida. São pontos de descanso, refúgio e suporte. Diariamente, cada unidade servirá 400 cafés da manhã e 400 almoços. A soma chega a 1,6 mil refeições quentes por dia. Paralelamente, a Prefeitura distribuirá outros 1,6 mil kits de alimentos diariamente. Segundo a Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), o total de kits alcançará 9,6 mil ao final do período.
Uma política que olha para quem faz a diferença
O secretário Júnior Magalhães, titular da Sempre, enfatizou a evolução da iniciativa. “Diante da importância de valorizarmos cada vez mais essa categoria, que tanto contribui para o desenvolvimento da festa, estamos aperfeiçoando nossas ações, pelo oitavo ano consecutivo”, afirmou. O relato oficial enviado ao portal BahiaBR deixa claro: o Catafolia não é um evento isolado. Ele integra uma política municipal de valorização dos catadores. O programa reconhece publicamente o trabalho destes profissionais. Eles são agentes ambientais cruciais, responsáveis por reduzir toneladas de resíduos e dar um destino correto ao lixo da folia. A iniciativa vai além do prato de comida. Ela busca fortalecer o autocuidado e a segurança dos trabalhadores. Em um cenário de vulnerabilidade social, ter um local para descansar, se alimentar e se hidratar com segurança muda a experiência de trabalho. Transforma uma jornada exaustiva em uma atividade com um mínimo de suporte. Humaniza uma função muitas vezes invisível. O Carnaval de Salvador ganha, assim, uma nova camada de significado. A sustentabilidade não está apenas nas embalagens biodegradáveis ou na coleta seletiva. Está, principalmente, no cuidado com as pessoas que tornam essa limpeza possível. Oferecer dez mil refeições é um gesto de gratidão. É dizer, de forma prática, que a cidade enxerga e valoriza quem trabalha nos bastidores para que a festa continue linda e limpa, ano após ano.
