✦ Resumo

Vitória da Conquista lidera saneamento no Norte e Nordeste, com índices de água e esgoto superiores às médias nacionais.

Foto: Mauri Azevedo

O que coloca a cidade baiana no topo do ranking?

Vitória da Conquista reafirmou sua posição como o município com os melhores indicadores de saneamento básico de todo o Norte e Nordeste brasileiro. O título consta no Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, que analisa os 100 municípios mais populosos do país. O levantamento, baseado em dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), aponta que os serviços operados pela Embasa na cidade superam significativamente as médias nacionais, um cenário que deve se consolidar com quatro grandes obras em andamento. O abastecimento de água atinge 97,17% dos imóveis, contra uma média nacional de 84,1%. A cobertura de esgotamento sanitário alcança 83,76% dos domicílios, um patamar bem superior aos 56,7% registrados no Brasil. O sistema de água da cidade também se destaca pela eficiência: o índice de perdas na distribuição caiu de 26,63% para 25,03% no último ano, ficando muito abaixo da média brasileira, que é de 39,5%. Para se ter ideia, o indicador de perdas por ligação em Conquista é de 241,67 litros por dia, enquanto no país esse número salta para 625,13 litros.

Investimentos milionários buscam consolidar a liderança

O gerente regional da Embasa, Manoel Marques, atribui o resultado a um planejamento rigoroso. “Fruto de um trabalho diário e dedicado da equipe”, afirmou Marques, destacando o desafio logístico de atender uma área territorial vasta, que inclui 11 distritos. O fato é que a empresa não pretende parar. Quatro obras estruturantes, com investimentos totais que superam R$ 440 milhões, estão em execução para ampliar e reforçar os sistemas de água e esgoto. A mais emblemática é a construção da Barragem do Catolé, com 50% das obras concluídas e um orçamento de R$ 326 milhões. Com previsão de entrega para fevereiro de 2027, o reservatório terá capacidade para armazenar 23,73 bilhões de litros de água, garantindo segurança hídrica para a população. Enquanto isso, o sistema integrado de abastecimento de água recebe um aporte de aproximadamente R$ 79 milhões. A obra inclui a instalação de uma nova adutora de 13 quilômetros e a ampliação da capacidade de bombeamento para levar mais água até a estação de tratamento e, posteriormente, aos reservatórios do bairro Candeias. Outro projeto, no valor de R$ 18,5 milhões, avança para levar água tratada a localidades como Cabeceira da Jiboia, Inhobim e Cercadinho, com 30 quilômetros de tubulação já implantados.

E os esgotos? A meta é universalização

O esgotamento sanitário também avança a passos largos. Um investimento de R$ 19 milhões está sendo aplicado no sistema dos bairros Campinhos e Simão, obra que já tem 42% do cronograma físico executado. A iniciativa prevê a implantação de 18 quilômetros de rede coletora e a construção de três estações elevatórias de esgoto, beneficiando cerca de mil imóveis. O conjunto dessas ações faz de Vitória da Conquista um caso raro de planejamento de longo prazo em saneamento, transformando indicadores técnicos em qualidade de vida tangível para seus 350 mil habitantes. A história se repete, mas agora com números ainda mais robustos. A reportagem do BahiaBR acompanha a evolução do saneamento na cidade há anos, e os dados atuais confirmam uma trajetória consistente de investimentos. O Ranking do Trata Brasil analisa três dimensões: “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência”. Conquista se sai bem em todas, um reflexo direto dos pesados investimentos realizados pela Embasa, empresa controlada pelo Governo do Estado da Bahia. O que salta aos olhos é o contraste: em um país onde milhões ainda não têm acesso à água tratada ou coleta de esgoto, um município do interior baiano consegue figurar entre os melhores do Norte e Nordeste. E a pergunta que fica: até quando a cidade manterá a liderança? Tudo indica que, pelo menos até o final desta década, a posição é sólida. As obras em andamento são de grande porte e têm prazos definidos, com conclusões previstas para 2027. O resultado prático é que, enquanto outras cidades da região ainda discutem projetos, Vitória da Conquista já está na fase de execução e ampliação.

. O desafio, agora, é manter a eficiência operacional diante da expansão e garantir que os distritos mais afastados acompanhem o ritmo do centro urbano. A conta é simples: planejamento contínuo gera resultados permanentes.

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