Hospital de referência vê custos dispararem com internações de vítimas
O atendimento a um único paciente politraumatizado na UTI do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) pode consumir até R$ 5 mil por dia do Sistema Único de Saúde. O valor alto reflete a complexidade dos casos que chegam à unidade, referência para traumas na região Centro-Leste da Bahia. Conforme dados apresentados em coletiva nesta semana, o HGCA registrou 3.339 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito em 2025. O número representa um aumento de quase 7% em relação a 2024.
Motociclistas jovens são a maioria das vítimas
A diretora-geral do HGCA, Cristiana França, afirmou que acidentes de trânsito respondem por 80% das entradas de pacientes politraumatizados. “Cerca de 80% desses atendimentos envolvem motociclistas”, detalhou a gestora. O perfil predominante é de homens entre 16 e 35 anos. Muitos pacientes chegam de municípios vizinhos com traumas cranianos graves. “A não utilização do capacete é um ponto que precisa ser amplamente debatido”, reforçou Cristiana França. Os custos hospitalares pressionam o orçamento público. Um paciente ortopédico nas enfermarias custa cerca de R$ 1 mil por dia. Na neurocirurgia, a diária pode alcançar R$ 2 mil. “Recursos que poderiam estar sendo direcionados para outras melhorias na assistência”, explicou a diretora. Ela definiu o hospital como a última ponta de um problema que começa nas ruas. “Não queremos corredores cheios. Queremos menos acidentes”.
Autoridades defendem ação integrada e prevenção
O superintendente municipal de Trânsito de Feira de Santana, Ricardo Cunha, participou do debate. Ele destacou o papel da imprensa na conscientização. “Informar, conscientizar e dar visibilidade a esses dados ajuda a sensibilizar a população”, afirmou. Cunha anunciou a realização de um Congresso de Trânsito na cidade. O evento dará início a uma discussão regional sobre mobilidade e segurança viária. Forças de segurança e órgãos de emergência também estiveram presentes. Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Secretaria Municipal de Trânsito reforçaram a necessidade de ações contínuas. A coordenadora da Câmara de Mulheres Empreendedoras, Leidiane Queiroz, representou o setor produtivo. “O empresariado da cidade está empenhado em colaborar”, disse. Ela vinculou segurança viária ao desenvolvimento econômico.