A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) iniciou a distribuição de 1.336.000 doses da vacina contra a influenza para os 417 municípios. A primeira remessa chegou nos dias 20 e 21 de março, antecedendo o Dia D de mobilização nacional, marcado para sábado, 28 de março. A campanha ocorre em um cenário de crescimento nas solicitações de leitos pediátricos para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), reforçando a urgência da imunização dos grupos prioritários.
Os dados do Serviço Estadual de Regulação (SER) mostram uma escalada preocupante. As solicitações de UTI pediátrica no estado saltaram de 55 na primeira semana de janeiro para 141 entre 12 e 18 de março. No mesmo período, os pedidos de enfermaria pediátrica subiram de 44 para 102. Roberta Santana, secretária estadual da Saúde, avalia que a vacina é a forma mais eficaz de prevenir agravamentos e aliviar a pressão sobre os serviços. “Estamos trabalhando com antecedência para que as doses cheguem aos municípios e a população no tempo certo”, afirmou.
Salvador recebe o maior lote inicial: 204.120 doses. Feira de Santana (58.310), Vitória da Conquista (25.840), Porto Seguro (24.490) e Camaçari (18.520) vêm em seguida. A distribuição é proporcional ao público-alvo de cada cidade. A meta nacional é ambiciosa: vacinar pelo menos 90% dos grupos de rotina, como crianças, gestantes e idosos, no primeiro mês.
Quem deve se vacinar contra a gripe na Bahia?
A lista de públicos prioritários é extensa. Crianças de seis meses a menores de seis anos estão no topo. Idosos com 60 anos ou mais, gestantes e puérperas também. A campanha abrange ainda trabalhadores da saúde, professores, povos indígenas, quilombolas e pessoas em situação de rua. A conta é clara: cada pessoa vacinada representa menos risco para toda a rede.
Profissionais de setores essenciais não ficam de fora. A lista inclui:
- Caminhoneiros, motoristas e cobradores de transporte coletivo;
- Trabalhadores portuários e dos correios;
- Integrantes das forças de segurança e armadas;
- População privada de liberdade e jovens em medidas socioeducativas.
Pressão na saúde e uma vacina atualizada
O aumento nas solicitações de leitos pediátricos acendeu o alerta. O cenário epidemiológico transforma a campanha de rotina em uma ação estratégica de descompressão do sistema. A história se repete: a conta da baixa cobertura vacinal sempre chega, e quem paga o preço são os mais vulneráveis e os serviços de saúde à beira do colapso.
A vacina trivalente usada em 2026 é produzida pelo Instituto Butantan e teve sua composição atualizada conforme a OMS. Ela protege contra as cepas A/H1N1, A/H3N2 e B/Victoria. Segura e eficaz, pode ser aplicada junto com outros imunizantes do calendário. Ao todo, a Bahia deve receber 6.022.574 doses ao longo de toda a estratégia. O desafio agora é fazer essas doses chegarem aos braços da população antes que o vírus chegue aos pulmões.