Cento e dez pessoas, entre crianças com Síndrome de Down e seus familiares, participaram de uma sessão de cinema inclusiva na manhã desta sexta-feira, 20 de março, no Shopping Center Lapa, em Salvador. A ação, promovida pela Prefeitura por meio da Diretoria de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência (DPCD), antecipou as celebrações do Dia Internacional da Síndrome de Down, oficialmente celebrado neste sábado, 21 de março. O evento, que acontece pelo segundo ano consecutivo, integra uma programação especial de lazer e cultura voltada para a inclusão, reforçando o acesso a espaços de entretenimento para pessoas com deficiência.
Como o cinema promove inclusão em Salvador?
A gestora da DPCD, Daiane Pina, afirmou à reportagem do BahiaBR que a iniciativa foi planejada para garantir um direito fundamental. “Acreditamos que as pessoas com deficiência têm acesso ao lazer e à cultura”, declarou Pina, destacando a satisfação em proporcionar o momento para as famílias. A animação exibida foi “Cara de Um, Focinho de Outro”, uma história sobre conexão com o mundo animal. Acontece que a escolha do filme segue um critério de diversão e identificação, repetindo o sucesso da edição anterior, que em 2025 levou ao cinema o longa “Deu Preguiça”.
O sorriso estampado no rosto das crianças contagiava o ambiente. A gerente de Marketing do Center Lapa, Aline Ferraz, explicou que o shopping mantém um calendário anual de atividades inclusivas. “É contagiante ver o sorriso deles por meio de uma confraternização que reúne mães e crianças a viverem as mesmas alegrias”, observou Ferraz. Para ela, ações como essa são um pilar importante da atuação do empreendimento, que abre suas portas para celebrar a diversidade. A reportagem do BahiaBR acompanhou a sessão e viu de perto a troca de experiências entre as famílias, muitas das quais raramente têm oportunidade de um programa cultural completo.
Meias trocadas: o símbolo que virou conscientização
Quem olhava para os pés dos participantes notava um detalhe colorido. Seguindo a campanha global “Meias Trocadas”, pais e crianças usavam meias descombinadas ou coloridas. O fato é que o símbolo nasceu da semelhança do formato dos cromossomos com uma meia. Como a Síndrome de Down é uma Trissomia do cromossomo 21, as meias diferentes representam, de forma lúdica, essa condição genética única. A mobilização, que acontece todo 21 de março, ganhou as ruas e os corredores do shopping, transformando um acessório comum em uma poderosa ferramenta de visibilidade e debate sobre inclusão.
Ivanilda Silva, boleira de 46 anos e moradora de São Cristóvão, foi ao cinema com a filha Isabel, de nove anos. “Essas crianças podem estar em todos os lugares e têm a capacidade de fazer tudo”, afirmou Ivanilda, enquanto aguardava o início da sessão. Ela destacou o valor social da ação. Para muitas famílias atípicas, que não têm condições de pagar um ingresso, essa iniciativa é a única porta de entrada para a magia do cinema. A fala dela ecoa um sentimento comum entre os pais presentes: a busca por normalidade e oportunidades iguais de lazer para seus filhos.
Leandro Almeida, vigilante de 43 anos, saiu do bairro de Canabrava com a esposa, Ana, e os filhos Miguel, Arthur e o pequeno Miguel, que tem Síndrome de Down. “Para mim, é importante buscar essa interação para o ciclo de desenvolvimento dele”, explicou Leandro, que divide os cuidados sempre que possível. Ele celebrou a chance de um lazer especial, diferente da rotina. Eventos como este mostram um caminho prático de inclusão pelo afeto e pelo compartilhamento de experiências. O resultado é uma manhã que fica na memória, provando que a cultura é um direito de todos, sem exceção.