✦ Resumo

Salvador sedia até sexta a 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos, com exibição gratuita de 21 filmes e debates sobre temas urgentes.

Grupo de jovens musicos de orquestra - Neojiba
Foto: Arquivo Neojiba

O Cineteatro 2 de Julho se transforma, até sexta (5), em palco de debates urgentes. Com apoio da SJDH, a mostra exibe gratuitamente 21 filmes, dando voz a realizadores indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

O debate sobre direitos humanos em Salvador ganha, esta semana, a textura da película e a urgência das grandes telas. A 15ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos ocupa o Cineteatro 2 de Julho de terça (2) a sexta (5) com uma programação inteiramente gratuita — e com um recado claro. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) não está ali apenas como apoiadora institucional; está na linha de frente para garantir que o debate ecoe para além dos corredores do cinema.

A estratégia é ir direto ao ponto: popularizar. Para isso, a SJDH mobilizou um público tão estratégico quanto simbólico. Cerca de 20 jovens integrantes do Neojiba — os núcleos de orquestra que são prioridade do governo — foram convidados a mergulhar nas narrativas. Eles participarão da sessão especial ‘Nego Bispo (terra)’, na quarta (3), que exibe os filmes ‘Ainda há moradores aqui’, ‘Eu sou Raiz’ e ‘Pau D’Arco’, seguidos de debate. É a arte dialogando com a arte, numa tentativa de formar novos olhares.

“Na SJDH temos priorizado inúmeras ações que visam promover esta dimensão educativa”, afirmou o secretário Felipe Freitas, que há anos acompanha a mostra. Para ele, a iniciativa é uma aliança poderosa entre cultura e política — uma forma de usar a força das histórias para plantar sementes de cidadania.

A abertura, nesta terça, deu o tom do que vem por aí. A solenidade, com a presença da superintendente Trícia Calmon, antecedeu a exibição do filme “Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá”, codirigido pela cineasta Sueli Maxakali — homenageada desta edição. Um gesto que coloca no centro a voz e o olhar indígenas.

Esta mostra não surge do vácuo. Ela é mais uma peça em um quebra-cabeça maior, que inclui desde a Caravana de Direitos Humanos até mentorias em feiras literárias. A pergunta que fica é: depois que as luzes do projetor se apagarem, como fazer com que essas discussões continuem ecoando no dia a dia da cidade? O governo aposta no cinema como catalisador. Agora, é ver se a sociedade absorve o roteiro.

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Sobre o autor Júlia Leal

Júlia Leal integra a equipe do BahiaBR.com como estagiária de conteúdo e mídias sociais. Iniciou sua trajetória no universo digital como blogueira em 2022.