Salvador na elite mundial por cortar emissões de poluentes

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Salvador na elite mundial por cortar emissões de poluentes

P. Fonseca
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ônibus eletrico na ruaFoto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

A aposta em uma mobilidade mais verde colocou Salvador no mapa global das cidades que combatem as mudanças climáticas. A capital baiana é a única da América Latina a reduzir em mais de 30% a emissão de gases de efeito estufa.

Salvador respira um ar diferente — e o mundo notou. A capital baiana acaba de ser reconhecida como uma das 11 cidades do planeta que mais reduziram a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE). O título, concedido pela rede global C40 Cities no relatório “Past the Peak”, não é só um diploma na parede: é o fruto de uma estratégia que começou a ser desenhada em 2019, com o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável.

E os números impressionam. Enquanto outras metrópoles ainda patinam em suas metas, Salvador é a única na América Latina a alcançar uma redução superior a 30%. “Esse plano nos norteou com metas ambiciosas”, explica o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. O resultado, segundo ele, rendeu destaque nos eventos pré-COP30, no Rio, e na COP30, em Belém.

Mas o que, de fato, mudou na rua?

A transformação passa, necessariamente, pelos ônibus. A frota vem sendo modernizada com a motorização Euro 6, uma tecnologia que corta em até 77% as emissões de poluentes se comparada ao padrão anterior. Atualmente, 180 veículos com essa tecnologia circulam pela cidade.

E o passo seguinte foi ainda mais ousado: desde 2022, Salvador integra uma iniciativa internacional e colocou na pista ônibus elétricos no BRT — acompanhados pelo maior terminal de recarga em área pública do país. “Já evitamos a emissão de mais de 15 mil toneladas de gás carbônico”, calcula Souza.

E não para por aí.

A cidade já conta com mais de 1 mil patinetes e 50 estações de bicicletas compartilhadas, espalhadas por 300 km de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. A meta é ambiciosa: chegar a 700 km de malha cicloviária até 2034.

E os próximos capítulos dessa revolução sustentável já têm data para começar. No próximo ano, as obras de expansão do BRT para os trechos do Aeroporto e da Estação Pirajá saem do papel, com previsão de conclusão em junho de 2027. Junto com os novos corredores, virão mais 100 ônibus elétricos — fruto de uma negociação com o Banco Mundial.

— Os veículos do corredor Aeroporto terão a Pituba como ponto de partida, seguindo pela Orla e passando pela Dorival Caymmi. Já os do trecho Estação Pirajá passarão pelas avenidas Pinto de Aguiar e Gal Costa, detalha o secretário.

Esse projeto posiciona Salvador para ter uma das maiores frotas de eletromobilidade da América Latina.

Do Centro Histórico ao cuidado com as pessoas.

Enquanto os grandes projetos avançam, um teste silencioso no Centro Histórico sinaliza o futuro: um ônibus 100% elétrico, menor e mais eficiente, faz o trajeto circular entre a Praça da Sé e o Campo Grande. Com ar-condicionado elétrico, piso baixo e entradas USB, o veículo é um laboratório sobre rodas.

E por trás de todo esse planejamento técnico, há um cuidado social. Programas como o Mulheres no Volante — que capacita mulheres para atuar como motoristas e em funções técnicas de manutenção — mostram que a mobilidade sustentável também se faz com inclusão. “São iniciativas que ampliam a visão de sustentabilidade”, complementa Pablo Souza.

O recado que fica é claro: Salvador não está apenas construindo corredores de ônibus. Está desenhando uma cidade mais inteligente, mais justa e, agora internacionalmente reconhecida, mais limpa. A pergunta que fica é: a cidade conseguirá manter esse ritmo de inovação? Tudo indica que sim.

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