✦ Resumo

Salvador inaugurou uma trituradora de podas que transforma resíduos de árvores em adubo orgânico para áreas verdes da cidade.

maquina trituradora de galhos de árvores
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

Salvador deu um passo na gestão sustentável de resíduos urbanos com a entrada em operação da primeira máquina trituradora de podas da cidade. O equipamento, chamado PTU 400, está sendo utilizado pela Secretaria Municipal de Manutenção (Seman) para processar galhos e troncos, transformando o que era descartado em aterro em material para compostagem. O adubo orgânico resultante será aplicado em praças e áreas verdes da capital, em uma parceria com a Secretaria de Sustentabilidade (Secis). A ação ocorreu nesta terça-feira (7) em vias do Subúrbio Ferroviário, como a Rua da Glória, na Praça do Sol.

De julho de 2025 a fevereiro deste ano, a Seman realizou serviços de poda ou supressão em 11.504 árvores em Salvador. O trabalho é essencial para prevenir acidentes e manter a saúde da arborização urbana. Agora, com a nova máquina, a dinâmica dos serviços muda radicalmente. O encarregado de poda Wilian dos Santos atesta: a capacidade de carregamento das caçambas triplicou. “Antes a gente tinha que dar duas ou três viagens com a caçamba; agora, com uma viagem só, fazemos umas cinco a seis podas”, relatou.

Como funciona a transformação de galhos em adubo

A máquina opera com eficiência impressionante. Ela processa até 25 metros cúbicos de material triturado por hora, depositando-o diretamente em uma caçamba. Seu projeto técnico permite triturar desde galhos finos e massa verde, com diâmetro de até 400 milímetros, até troncos robustos de 35 centímetros de espessura. Para auxiliar no manejo de galhos pesados, o equipamento vem com um guincho elétrico de 900 quilos de força e um cabo de 45 metros. Tudo conforme as normas de segurança NR12.

O destino desse material triturado é o que marca a inovação. Ele não vai mais para o aterro sanitário. Em vez disso, segue para o processo de compostagem, que será conduzido em conjunto com a Secis. O que antes era um problema de descarte vira solução para a fertilização do solo em espaços públicos da própria cidade. O secretário municipal de Manutenção, Lázaro Jezler, enfatiza a mudança de paradigma: “Estamos transformando um resíduo em solução. O material das podas deixa de ir para o aterro e passa a ser utilizado como adubo, contribuindo diretamente para o cuidado com o meio ambiente”.

Agilidade nos serviços e reação da comunidade

A presença do triturador em ação no Subúrbio Ferroviário chamou a atenção. Além das ruas da Estação e Radialista Olimar Antônio Serpa, o trabalho na Rua da Glória, na Praça do Sol, foi acompanhado por moradores locais. Antônio Carlos Aquino, chaveiro que trabalha no local há 15 anos, ficou admirado. “Ele tritura os galhos? Achei muito interessante e facilita a poda, não é?”, comentou. A cena concreta de um equipamento de grande porte processando rapidamente os resíduos verdes ilustra o ganho de produtividade que a Prefeitura alega.

O fato é que a logística era um gargalo. Galhos volumosos ocupavam espaço rapidamente, demandando múltiplas viagens ao aterro. Agora, compactados na forma de cavaco, o volume reduzido permite otimizar o transporte e destinar a carga para um fim útil. A conta é simples: menos custos com descarte, menos viagens de caminhão e mais nutrientes para o solo das praças. A pergunta que fica é sobre a escala. Com milhares de podas realizadas anualmente, a capacidade de uma única máquina será suficiente para atender toda a demanda da cidade? A eficiência aumentou, mas o volume de trabalho permanece.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.