- Como uma política pública combate a fome em Salvador?
- Expansão da rede segue mapa da fome na cidade
- O impacto vai além do prato de comida
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Como uma política pública combate a fome em Salvador?
O Restaurante Popular Vida Nova, localizado no bairro de Águas Claras em Salvador, completou dois anos de operação nesta quarta-feira, 18 de setembro de 2024, distribuindo mais de 241 mil refeições a preço simbólico. Gerenciado pela Prefeitura de Salvador através da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), o equipamento é a terceira unidade da rede municipal e marca o início de uma expansão que já levou o serviço a dez bairros da capital. A inauguração em março de 2022 respondeu a um critério técnico baseado em índices locais de vulnerabilidade alimentar, transformando um estudo em prato de comida quente para quem mais precisa.
Expansão da rede segue mapa da fome na cidade
Antes da abertura em Águas Claras, a rede contava apenas com unidades em Pau da Lima e São Tomé de Paripe. O fato é que a escolha estratégica dos novos bairros – Fazenda Coutos, Mares, Periperi, São Cristóvão, Sussuarana, Valéria e Pernambués – não foi aleatória. “As localidades são definidas a partir de critérios técnicos, como os índices de insegurança alimentar e de pobreza”, aponta o titular da Sempre, Júnior Magalhães. A reportagem do BahiaBR analisou dados públicos que confirmam: a instalação segue um mapa preciso da carência na cidade, priorizando regiões com menor acesso a alimentação adequada. A satisfação de quem usa o serviço salta aos olhos. Maria Dália da Silva é frequentadora desde o primeiro dia. “Esse restaurante faz parte da nossa vida. Espero que essa data se repita por muitos anos”, disse. Para famílias numerosas, o almoço a R$ 2,00 representa mais que economia. É a garantia de que, ao menos uma vez ao dia, o prato estará cheio em lares onde a insegurança alimentar era uma sombra constante.
O impacto vai além do prato de comida
Quem paga a conta é o morador, mas o retorno é social. A funcionária Adriele Matogrosso, que está na unidade desde a inauguração, descreve um vínculo que ultrapassa o serviço. “Criamos um vínculo familiar… O mais gratificante é ver que estamos ajudando famílias de sete, oito pessoas a terem uma refeição, já que muitas não têm alimento em casa”, afirmou. O espaço climatizado e os rigorosos padrões nutricionais, citados pelo secretário, tentam oferecer dignidade onde antes havia apenas o constrangimento da necessidade. A roda gira e a conta da fome, quando não paga o poder público, recai sobre os mais frágeis. A expansão para dez unidades em dois anos mostra uma resposta municipal a uma demanda crônica.
Para efeito de comparação, a rede praticamente quintuplicou sua presença territorial desde 2022. O dado é um marco na cobertura do BahiaBR sobre infraestrutura social. Na prática, a celebração do aniversário com bolo e cardápio especial escolhido pelos frequentadores – frango assado, purê de batata, panqueca de carne – simboliza mais que uma festa. É o reconhecimento de um serviço que se tornou essencial. A história se repete em cada bairro onde um restaurante popular abre as portas: primeiro vem o alívio imediato da fome, depois a construção de um ponto de apoio comunitário. O desafio agora, conforme apontam especialistas em assistência social, é garantir a sustentabilidade orçamentária e a qualidade contínua do serviço enquanto novas áreas de vulnerabilidade clamam por atenção. A pergunta que fica é quantas refeições serão necessárias até que a insegurança alimentar deixe de ditar o endereço dessas políticas.




