Sistema de câmeras inteligentes bate recorde de capturas no estado
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) alcançou a marca de 500 foragidos da Justiça localizados e presos em 2026 por meio de seu sistema de Reconhecimento Facial. A captura que atingiu o marco ocorreu na noite de segunda-feira, 16 de março, no município de Jacobina, a 330 km de Salvador. Um homem com mandado de prisão preventiva por homicídio foi identificado pela tecnologia, abordado por equipes do 29º Batalhão de Polícia Militar e conduzido à delegacia da Polícia Civil local. O dado consolida o primeiro bimestre do ano como o de maior efetividade da ferramenta desde sua implementação.
Quem são os criminosos capturados pela inteligência artificial?
Os 500 foragidos alcançados incluem procurados por crimes de alta gravidade. Só entre janeiro e fevereiro de 2026, a rede flagrou homicidas, traficantes, estupradores e indivíduos com mandados por roubo, furto qualificado e porte ilegal de arma de fogo. A ferramenta também localizou devedores de pensão alimentícia com ordens judiciais de prisão. O sistema não se limita a criminosos baianos: ele cruza dados nacionais e já identificou foragidos de outros estados que tentavam se ocultar no território baiano. Para se ter ideia, a operação em Jacobina foi acionada em menos de três minutos após o alerta sonar na central de monitoramento. A reportagem do BahiaBR acompanhou a rotina da Central Integrada de Comando e Controle (CICC) e constatou a operação dos analistas. Eles monitoram milhares de imagens por dia. Acontece que a tecnologia, sozinha, é apenas o primeiro passo. “O sistema emite o alerta, mas a confirmação da identidade e a ação tática final dependem da perícia e da coragem dos nossos policiais”, explicou o tenente-coronel Ronaldo Almeida, coordenador técnico do sistema na SSP-BA. Esse protocolo rígido visa evitar equívocos e garantir a legalidade das prisões.
Expansão da rede de vigilância pós-pandemia
Implementado em dezembro de 2019, o programa de Reconhecimento Facial passou por uma expansão agressiva nos últimos dois anos. O número de pontos com câmeras de alta definição conectadas à inteligência artificial mais que dobrou, alcançando agora vias públicas, terminais de transporte e acessos a municípios do interior. A estratégia incluiu a instalação de Plataformas Elevadas de Observação (PEOs) – torres móveis com câmeras 360 graus – que são deslocadas para grandes eventos como o Carnaval de Salvador e micaretas no interior, transformando aglomerações que antes eram um desafio para a segurança em áreas de vigilância otimizada. O que pouca gente sabe é o custo operacional. Dados obtidos pela equipe do BahiaBR via Lei de Acesso à Informação mostram que a manutenção e expansão do sistema consumiram R$ 12,7 milhões apenas no último ano. O investimento, segundo a SSP, se justifica pela relação custo-benefício. Traduzindo: a prisão de um foragido por métodos tradicionais demandava, em média, 45 dias de investigação. Com o reconhecimento facial, o tempo médio entre a identificação e a prisão caiu para menos de 72 horas em casos de criminosos cadastrados. O fecho é inevitável. A história se repete com cada alerta bem-sucedido, mas especialistas ouvidos pelo BahiaBR alertam para o passo seguinte. “A tecnologia é uma ferramenta poderosa de policiamento ostensivo e investigação, mas seu uso deve ser permanentemente auditado para evitar violações de privacidade e garantir que os algoritmos não perpetuem vieses”, pondera a professora Dra. Letícia Costa, especialista em Direito Digital e Segurança Pública da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O desafio de longo prazo, portanto, não é apenas ampliar a rede, mas consolidar seu marco regulatório. Enquanto isso, a roda gira. E a pergunta que fica para o cidadão comum é sobre o equilíbrio tênue entre segurança e liberdade.
