O Governo do Estado da Bahia confirmou a aplicação de novas parcelas de reajuste salarial para servidores da área da Saúde a partir de março de 2026. Os aumentos, que variam de 4% a 8,96% dependendo da carreira, fazem parte da política de valorização escalonada estabelecida pelas Leis nº 14.893/2025 e PL nº 25.918/2025. A medida busca recompor a remuneração de categorias consideradas estratégicas para o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado, com ganhos acumulados que podem chegar a 13,63% ao final do processo. A reportagem do BahiaBR analisou os decretos e portarias publicados no Diário Oficial do Estado para detalhar o cronograma que afetará milhares de trabalhadores.
Quem ganha aumento e quando os valores chegam?
Os servidores do Grupo Ocupacional Serviços Públicos de Saúde (GOSPS) serão os primeiros a receber o reajuste no próximo ano. Para eles, estão previstas duas parcelas: 4% a partir de março e mais 2,5% a partir de junho de 2026. O fato é que essa categoria alcançará o maior percentual acumulado, de 13,63%, ao final do ciclo de recomposição. Já os profissionais do Grupo Administrativo lotados na Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) terão os ajustes aplicados em abril. Aí vem o detalhe: os percentuais são diferenciados. Auxiliares e Técnicos Administrativos terão aumento de 5,45%, enquanto Analistas Técnicos e Jornalistas receberão 8,96% no mesmo mês.
Traduzindo: ambas as carreiras do Grupo Administrativo atingirão um ganho acumulado total de 12,96%. Para os jornalistas, a lei prevê um benefício adicional. Além do reajuste na base salarial, haverá correção nas gratificações, incluindo a Gratificação por Competência (GPC). Ocupantes de cargos comissionados na Sesab terão aumento de 5% em abril, dentro de uma margem acumulada de 10,25%. Conforme o calendário oficial, todos os reajustes serão incorporados automaticamente à folha de pagamento, sem necessidade de requerimento individual pelos servidores.
Gratificação e impacto nos inativos
Em março de 2026, paralelamente aos reajustes salariais, também será aplicado um aumento de 4% na Gratificação de Incentivo ao Desempenho (GID). Este componente representa uma parte significativa da remuneração total de muitos trabalhadores da saúde, especialmente aqueles em funções de atendimento direto à população. A Sesab, órgão responsável pela execução das medidas, reforça que a GID é um instrumento de estímulo à produtividade e qualidade dos serviços.
E tem mais. Os servidores inativos e pensionistas também serão impactados pela política de recomposição. Os índices de reajuste serão aplicados aos proventos de aposentadoria e pensões, mas seguindo as regras e limites vigentes na data da concessão do benefício. Ou seja, o cálculo considera a legislação previdenciária aplicável ao tempo de serviço de cada um. O Departamento de Pagamento de Pessoal do Estado assegura que a atualização será automática, assim como para os ativos.
O que pouca gente sabe é que essa escalada de reajustes começou a ser desenhada em 2025, após longas negociações entre o governo estadual e entidades representativas das categorias. A conta é simples, mas o impacto é complexo: enquanto o estado investe R$ 287 milhões anuais extras na folha após a plena implementação, os hospitais e UPAs aguardam para ver se a valorização se traduz em melhoria real na retenção de profissionais e no atendimento público. A história se repete em ciclos de cinco a sete anos, segundo análise histórica do BahiaBR sobre as carreiras públicas estaduais.
Para efeito de comparação, o plano de cargos e salários da saúde não recebia um ajuste abrangente desta magnitude desde 2019. O secretário estadual da Saúde, Roberval Souza, defendeu a medida como “estratégica e necessária”. Em ofício técnico enviado à Assembleia Legislativa no ano passado, a Sesab argumentou que a desatualização salarial era um dos principais motivos da alta rotatividade em unidades de pronto-atendimento do interior. O resultado dessa nova investida financeira só poderá ser medido, de fato, a partir de 2027, quando o ciclo completo de reajustes estiver consolidado e seus efeitos no serviço público de saúde forem avaliados.
