Diante de um cenário de aumento de casos, a rede municipal de Lauro de Freitas investe na qualificação de suas equipes. O foco é o diagnóstico precoce e o manejo clínico da doença, que preocupa especialistas.
A cena é comum em qualquer unidade de saúde: uma tosse que insiste, um cansaço fora do normal. Sinais que podem passar despercebidos, mas que hoje acenderam um alerta em Lauro de Freitas. A prefeitura reuniu dezenas de profissionais da rede municipal num auditório da Unime para um treinamento urgente — o manejo clínico da tuberculose.
O médico Marcelo Galvão não poupou nas palavras. Diante da plateia atenta, trouxe números que desenham um quadro preocupante. — Houve uma elevação significativa dos níveis de contaminação e, consequentemente, do número de óbitos — alertou. Para ele, capacitar a Atenção Básica é a chave. Diagnóstico precoce, acompanhamento rigoroso e encaminhamento ágil para casos complexos formam o tripé para reverter essa curva ascendente.
Do ativo ao latente: a batalha nos detalhes
A capacitação foi além da teoria. Detalhou os fluxos que devem guiar a ação de cada profissional, da UBS ao hospital especializado. Um ponto recebeu atenção especial da enfermeira Flaviana Pereira: a Infecção Latente da Tuberculose (ILTB).
— A ILTB é uma estratégia de prevenção — explicou Flaviana, destacando o rastreamento de pessoas que tiveram contato com doentes. Elas passam por exames como a prova tuberculínica e o raio-x. Se a forma ativa for descartada, ainda assim iniciam um tratamento preventivo. São três meses, com uma dose semanal. Uma forma eficaz de cortar a cadeia de transmissão pela raiz.
A rede funciona de forma integrada. As UBSs coletam as amostras para baciloscopia e teste rápido molecular. O destino final para análise é o Hospital Especializado Otávio Mangabeira. Já o Complexo Municipal de Saúde fica responsável pela prova tuberculínica e pela radiografia de tórax. Um sistema que depende, sobretudo, do olhar treinado de quem está na ponta.
Um desafio de todos, não só dos médicos
E a ponta, aqui, tem muitos nomes. O enfermeiro Thiago Sena, da UPA Pediátrica de Itinga, fez uma defesa contundente do caráter multiprofissional do combate à doença.
— Esse momento é importante para técnicos, enfermeiros, médicos, recepcionistas, equipes de higienização — listou. A mensagem é clara: num cenário de doença infectocontagiosa, todos precisam entender seu papel. Do acolhimento na recepção ao controle de infecção na limpeza, cada elo da corrente precisa estar fortalecido.
O recado final da Secretaria de Saúde é direto: tosse seca por mais de três semanas é um sinal de alarme. A orientação é buscar uma unidade imediatamente.
A capacitação em si não vai curar ninguém. Mas é o tipo de investimento silencioso que pode mudar histórias. Qualificar o primeiro olhar, agilizar um encaminhamento, tratar antes que a doença se manifeste com força. Em tempos de números crescentes, conhecimento compartilhado pode ser a mais poderosa — e humana — das vacinas.
