Proerd forma mais de 270 crianças em Lauro de Freitas

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Proerd forma mais de 270 crianças em Lauro de Freitas

P. Fonseca
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Auditorio com alunos do 5º ano do fundamental e Políciais na formatura do ProerdFoto: Viviane Moreira

A formatura não tinha apenas discursos. Tinha a energia contida de crianças de uniforme, pais com olhos brilhantes e a sensação palpável de um pequeno, mas significativo, triunfo. No CEEPTIC, em Lauro de Freitas, 274 estudantes do 5º ano concluíram o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), um projeto que teima em fazer diferença há mais de uma década na cidade.

A parceria entre a Polícia Militar e a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) não é nova, mas ganhou novo fôlego em 2025. A ação se concentrou em quatro escolas das regiões de Itinga e Centro — Vila Praiana, Dom Avelar, Vovó Ciça e Enock Amaral —, justamente onde a pressão social pode bater mais forte à porta.

Por que o 5º ano é tão crucial?
A escolha não é por acaso. É uma fase de transição, onde a criança deixa o ciclo inicial e se prepara para os desafios do Fundamental II. São 12 semanas de lições que vão além do “diga não às drogas”. O programa mexe com autoestima, controle emocional e estratégias para enfrentar o bullying. — É preparar esses estudantes para um novo momento, fortalecendo autonomia e responsabilidade — explica a sargento Lesley Carneiro, instrutora do Proerd.

A secretária de Educação, Tamires Andrade, reforça: o programa soma à formação cidadã. “É um programa que transforma vidas”, defendeu durante a solenidade.

A expansão e o sonho de mil formaturas
O saldo é considerado positivo pela PM, mas a ambição é maior. Com a integração das 81ª e 52ª CIPM, o plano para 2026 é ambicioso: ampliar o número de instrutores e, quem sabe, chegar à marca de mil alunos formados. A diretora do Departamento de Prevenção da SEMED, Edicleuse Sena, vê o Proerd como peça-chave na política municipal de prevenção. O alvo, diz ela, não são só as drogas, mas um leque de comportamentos de risco que rondam a infância.

Entre os formandos, histórias como a de Pedro Santana Pires, de 10 anos, dão rosto ao projeto. Vencedor do concurso de redação, ele aprendeu sobre os malefícios do cigarro, da bebida e das drogas. “Aprendi que a gente não pode se misturar com pessoas erradas”, disse, com a simplicidade que só uma criança tem. Sua recompensa, uma bicicleta, era o símbolo de uma felicidade concreta naquele dia.

A formatura é, sem dúvida, um momento de luz. A cerimônia é bonita, as crianças estão esperançosas e as famílias, reconhecidas. Mas a pergunta que fica, depois que as luzes do auditório se apagam, é outra: de que adianta preparar as crianças se o mundo lá fora segue despreparado para recebê-las? O Proerd faz sua parte — importante e necessária. O desafio agora é que a lição não termine no portão da escola.

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