A tradicional Procissão do Fogaréu reuniu cerca de 25 mil pessoas na quinta-feira (2), em Serrinha, consolidando o evento como um dos principais atrativos do turismo religioso católico no interior da Bahia. Reconhecida como Patrimônio Imaterial do Estado desde 2019, a manifestação completou 96 anos e contou com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Turismo (Setur-BA). A programação incluiu missas, uma encenação da Paixão de Cristo com artistas locais e uma caminhada noturna de cinco quilômetros com velas acesas.
O fluxo de visitantes transformou a cidade. Hotéis lotados, comércio aquecido e ruas cheias sinalizaram o impacto econômico do evento. O prefeito Cyro Novais destacou que a festa já transcendeu o aspecto religioso. “As pessoas que nasceram aqui retornam para a cidade no período da Semana Santa, trazendo acompanhantes”, afirmou. Para ele, o suporte do governo foi fundamental para dar mais dimensão turística à celebração.
Experiência marca fiéis de diferentes regiões
Quem veio de fora garante: a experiência justifica a viagem. O cientista político Gabriel Cavalcante, 30 anos, veio de Salvador pelo segundo ano consecutivo. “Voltei porque a experiência que tive no ano passado foi muito marcante”, contou. Ele define o Fogaréu como um momento de união e preparação espiritual. Já o advogado Gustavo Carneiro, 25 anos, que tem família em Serrinha, viajou de Alagoinhas. “É um momento religioso, mas também carregado de muita cultura, uma experiência realmente fascinante”, completou.
A força da tradição católica impressionou até quem veio de outro estado. A estudante Mari Gabrielle da Silva, 21 anos, veio de Mauriti, no Ceará. “O que mais me chama a atenção é ver tantas pessoas reunidas com o mesmo propósito, voltadas para Deus”, disse. Para ela, viver os costumes da Semana Santa em Serrinha tornou a experiência ainda mais especial.
Roteiro de fé e cultura atrai multidão
A noite em Serrinha seguiu um roteiro sagrado. Após a Missa da Ceia do Senhor e a encenação da Paixão, a multidão partiu da Catedral de Serrinha carregando velas. O ponto alto foi a caminhada de cinco quilômetros até a Colina de Nossa Senhora Sant’Ana, um trajeto simbólico que marca o início do sofrimento de Cristo. O evento, que mistura devoção, cultura e impacto econômico, demonstra como uma tradição secular pode se reinventar como potente motor para o turismo regional.
O resultado é visível. O movimento na economia local dispara. A estrutura da cidade se prepara para receber os milhares de visitantes. E a pergunta que fica é: quantas outras tradições baianas guardam esse mesmo potencial? A Procissão do Fogaréu, em sua 96ª edição, deu a resposta. Mostrou que fé e cultura, quando caminham juntas, geram um legado que vai muito além da quinta-feira santa.