Condenado por lesão fatal é capturado após quase quatro anos
Um homem de 45 anos foi preso pela Polícia Civil da Bahia nesta segunda-feira, 17 de março de 2026, em cumprimento a mandado judicial. Ele foi condenado pelo crime de lesão corporal seguida de morte contra Ricardo Telmo Borges de Cerqueira, de 69 anos. A ação ocorreu no bairro da Barra, em Salvador, e marca o desfecho de um processo que se arrastava desde o fim de 2022. A reportagem do BahiaBR apurou que a prisão foi realizada por agentes da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), unidade do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), que localizaram o condenado após trabalho de inteligência.
Crime ocorreu em shopping após desentendimento em 2022
O fato que deu origem à condenação remonta ao dia 27 de dezembro de 2022. Naquele período festivo, um desentendimento dentro de um shopping center na capital baiana terminou em tragédia. A investigação foi conduzida à época pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que concluiu o inquérito policial e indiciou o agressor. Quase três anos e três meses se passaram entre o crime e a execução da pena. O tempo entre a condenação e a prisão levanta questionamentos sobre a agilidade do sistema. Quem paga a conta é o morador, que convive com a sensação de impunidade. Agora repare: a captura foi realizada por uma delegacia especializada em crimes cibernéticos, e não pela força-tarefa de capturas. Isso demonstra a integração de bases de dados e a capacidade de rastreamento digital da polícia baiana para localizar foragidos. Após a prisão, o indivíduo foi apresentado na sede da Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter-BA). Ele permanece custodiado à disposição da 12ª Vara Criminal da Comarca de Salvador, responsável pela expedição do mandado.
Justiça determina custódia e caso segue tramitação
O fato é que a condenação já havia sido decretada pela Justiça. A demora na execução da pena, no entanto, é um padrão observado em diversos casos no estado. Conforme dados consolidados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Bahia possui uma das maiores taxas de pendência de mandados de prisão não cumpridos na região Nordeste. A lentidão entre a sentença e a prisão efetiva mina a credibilidade do sistema e prolonga o sofrimento das famílias das vítimas. Para se ter ideia, a reportagem do BahiaBR, que cobre segurança pública há mais de uma década, constata que casos como este não são isolados. A superlotação do sistema carcerário e a burocracia são frequentemente apontadas por especialistas como gargalos. O professor e jurista Dr. Álvaro Moreira Filho, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), explica que “a morosidade na execução penal cria uma perigosa sensação de que a condenação é apenas um papel, não uma realidade. Isso enfraquece o caráter pedagógico e de justiça da sentença”. O condenado responde agora aos trâmites legais para início do cumprimento da pena. O caso deixa claro que, mesmo em crimes com grande repercussão investigativa, o caminho até a efetiva responsabilização pode ser longo e tortuoso. A história se repete, mas a esperança é que a captura sirva de alerta para outros condenados foragidos. A Polícia Civil sinaliza que as operações para localizá-los continuam em andamento.
