A Polícia Civil da Bahia participou, na sexta-feira (13 de março de 2026), de um evento voltado à proteção feminina no município de Canudos. A ação “Um Olhar para Mulheres Canudenses”, realizada na Câmara Municipal, reuniu agentes públicos e representantes da sociedade civil para discutir direitos, prevenção à violência e o fortalecimento da rede de apoio local. O encontro foi organizado pela Secretaria de Assistência Social do município, evidenciando um esforço intersetorial para enfrentar um problema que, segundo dados nacionais, ainda atinge milhares de baianas.
Como a polícia atua na proteção das mulheres?
A palestra central foi conduzida pela delegada Bruna Andrade, titular do Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (Neam) de Euclides da Cunha. Com o tema “Mulher informada é mulher protegida”, a autoridade policial detalhou os mecanismos legais de amparo, como as medidas protetivas de urgência, e os caminhos para formalizar uma denúncia. A delegada enfatizou que o acesso à informação é o primeiro passo para romper ciclos de violência, uma realidade que muitas vezes permanece oculta nos interiores do estado. O Neam de Euclides da Cunha, unidade de referência para a região, registrou mais de 120 novos casos apenas no último trimestre de 2025, um número que preocupa especialistas.
Quem paga a conta é o morador quando a informação não chega. A investigadora de polícia Isabel e a assistente social Viviane, também do Neam, complementaram a explanação. Elas detalharam o fluxo de atendimento, desde o acolhimento até o encaminhamento para a rede psicossocial. O fato é que, sem o acompanhamento integrado entre polícia, assistência social e órgãos de saúde, o risco de reincidência e de agravamento das agressões aumenta significativamente.
A rede de apoio funciona no interior?
A reportagem do BahiaBR apurou que eventos como este buscam suprir uma lacuna crítica: a distância entre os serviços especializados e as mulheres do interior. Enquanto a capital Salvador concentra delegadas especializadas e varas exclusivas, municípios como Canudos dependem da atuação itinerante e da capacitação de agentes locais. A presença da Polícia Civil em um fórum de discussão na Câmara Municipal simboliza uma tentativa de encurtar esse caminho, levando a autoridade até onde a vítima está.
Traduzindo: a estratégia é preventiva. Mais do que repressão, o objetivo é disseminar conhecimento sobre a Lei Maria da Penha e os canais de ajuda, como o Disque 180. A iniciativa em Canudos segue um modelo que tem sido replicado em outras cidades do semiárido baiano, sempre com a parceria das prefeituras. Para se ter uma ideia, o próprio Neam de Euclides da Cunha ampliou seu raio de atendimento para mais cinco municípios no último ano, um reflexo da demanda reprimida.
E a pergunta que fica: até quando as políticas públicas chegarão de forma efetiva e permanente a todos os territórios? A história se repete na forma de subnotificação. A autoridade da Polícia Civil presente no evento reforçou que muitas agressões não viram boletim de ocorrência por medo, dependência econômica ou falta de informação sobre os direitos. O evento em Canudos, portanto, foi um ponto de partida. O desafio de longo prazo, conforme especialistas em segurança pública ouvidos pelo BahiaBR ao longo dos anos, é transformar essas ações pontuais em uma rede de proteção contínua e com recursos garantidos, assegurando que nenhuma mulher no interior da Bahia fique para trás.
