O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente o Pix nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, durante evento em Salvador. A declaração foi uma resposta direta a um relatório comercial dos Estados Unidos que critica o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Lula afirmou que o Pix, criado e administrado pelo Banco Central do Brasil (BC), deve ser aprimorado para atender os brasileiros, mas não será alterado por pressões externas. O evento marcou a entrega de obras do Novo PAC na área de mobilidade urbana da capital baiana.
“O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando a sociedade brasileira”, disse o presidente. A fala ocorreu após a divulgação do Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. O documento, publicado em 31 de março, lista o Pix como uma possível barreira comercial. Empresas estadunidenses temem que o BC dê tratamento preferencial à plataforma nacional, desfavorecendo outros sistemas de pagamento eletrônico.
O que diz a investigação dos Estados Unidos?
O governo dos Estados Unidos já havia aberto uma investigação interna contra práticas comerciais do Brasil em 2025. O Pix estava no centro das atenções. Uma das especulações era que o Banco Central teria favorecido o sistema brasileiro em detrimento do WhatsApp Pay em 2020. O aplicativo pertence à Meta, empresa do empresário Mark Zuckerberg, aliado do ex-presidente Donald Trump. Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil rebateu as acusações. A defesa brasileira argumentou que a administração pelo BC garante neutralidade e segurança ao sistema, sem discriminar empresas estrangeiras.
Traduzindo: a briga é técnica, mas tem fundo político e econômico. O relatório americano aponta que o Banco Central do Brasil exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas. Para os Estados Unidos, isso cria uma barreira. Para o Brasil, é uma questão de soberania e regulação do próprio sistema financeiro. A conta chegou para o Pix, agora visto como um ativo estratégico — e um alvo— no tabuleiro do comércio internacional.
Além do Pix: o foco em Salvador
O evento em Salvador não tratou apenas do sistema de pagamentos. Lula participou de entregas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de mobilidade urbana. O presidente visitou as obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da capital. Um trecho do transporte público já funciona em testes operacionais. O projeto do VLT concentra R$ 1,1 bilhão em investimentos do governo federal. Também foram autorizados editais e estudos para a ampliação do sistema sobre trilhos na cidade.
Coincidência ou não, o ato também marcou a despedida do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Ele deixa o cargo para se desincompatibilizar e disputar uma vaga no Senado nas próximas eleições. A secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior, assume o posto. O Pix, lançado oficialmente em 16 de novembro de 2020, segue como pauta quente. Enquanto isso, em Salvador, os trilhos do VLT começam a mudar a paisagem da mobilidade. Dois fronts, uma mesma mensagem: a defesa de políticas públicas nacionais.