O trabalhador brasileiro inicia o ano com um novo piso salarial de R$ 1.621. O valor, que entrou em vigor neste 1º de janeiro, é um dos pilares da Lei Orçamentária sancionada pela Presidência da República. O texto final, publicado em edição extra do Diário Oficial, consolida uma estratégia de contenção em áreas políticas para assegurar o cumprimento das metas fiscais. Ao todo, o governo Federal operará com um montante de R$ 6,5 trilhões, dos quais uma parcela significativa — R$ 1,82 trilhão — está carimbada exclusivamente para o serviço da dívida pública.
O bloqueio aos benefícios partidários e o rigor nas emendas
A decisão mais incisiva do Executivo recaiu sobre o sistema político. Lula barrou o aumento do Fundo Partidário, sob a justificativa técnica de que o reajuste comprometeria o custeio operacional da Justiça Eleitoral e estouraria o teto de despesas primárias. A medida impede que legendas ampliem seus caixas às custas de outras prioridades administrativas.
Além disso, o governo impôs critérios rígidos para a execução de emendas parlamentares, que somam R$ 61 bilhões. Foram vetados dispositivos que permitiam o repasse de verbas para obras sem licença ambiental prévia ou projetos de engenharia. Na prática, a gestão federal tenta evitar o escoamento de dinheiro público para empreendimentos sem viabilidade técnica imediata, o que historicamente gera obras inacabadas.
Metas fiscais e a estrutura de gastos
A arquitetura financeira para este ano busca um superávit primário que pode chegar a R$ 68,52 bilhões, embora o arcabouço fiscal permita um resultado de déficit zero ou até uma flutuação negativa de R$ 6,75 bilhões sem que a meta seja considerada descumprida.
Abaixo, detalho a distribuição dos limites globais e as reservas para investimentos:
| Categoria de Despesa/Receita | Valor Estimado (R$) |
| Orçamento Total da União | 6,5 trilhões |
| Pagamento de Juros da Dívida | 1,82 trilhão |
| Limite de Gastos (Três Poderes) | 2,4 trilhões |
| Emendas Parlamentares Totais | 61 bilhões |
| Novo PAC (Limite de Investimento) | 5 bilhões |
Impactos na Bahia e no Nordeste
A manutenção do Novo PAC com R$ 5 bilhões preservados fora da meta de déficit é um ponto crucial para o estado da Bahia. Projetos de infraestrutura logística e saneamento, coordenados pelo governo estadual em parceria com a União, dependem diretamente desses recursos para evitar paralisações. A rigorosa exigência de projetos de engenharia e licenças ambientais, mantida pelos vetos, obriga as prefeituras baianas a profissionalizarem suas secretarias de planejamento se quiserem acessar os R$ 26,6 bilhões destinados às emendas individuais.
Outro ponto de atenção para Salvador e Região Metropolitana é o reajuste limitado dos auxílios-alimentação e pré-escolar no serviço público federal. A medida, que impede aumentos acima do IPCA, impacta o consumo local da classe média vinculada aos órgãos federais presentes na capital.
Gestão de Contingenciamento
O governo também optou por manter a prerrogativa de contingenciar (bloquear temporariamente) verbas de áreas como defesa agropecuária e fiscalização de agências reguladoras. A presidência argumentou que blindar tais despesas reduziria a margem de manobra para a gestão do fluxo de caixa ao longo do ano. Para o setor produtivo baiano, especialmente o agronegócio do Oeste, a fiscalização agropecuária é um serviço crítico que poderá sofrer flutuações de recursos dependendo da arrecadação federal.
