A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), deu início nesta segunda-feira (23) à Operação Plantio Chuva 2026. A ação começou na região do Mané Dendê, no Subúrbio, com o plantio de 125 mudas de espécies nativas. A iniciativa aproveita o período chuvoso na capital para garantir melhor adaptação das árvores e tem a meta de superar os números do ano anterior.
Foram plantadas mudas de aldrago, ipê-rosa, ipê-amarelo, jequitibá, pau-ferro e pau-mulato. A escolha do local não foi aleatória. Conforme o secretário da Secis, Ivan Euler, a ação é uma condicionante do projeto Novo Mané Dendê, maior intervenção da gestão no Subúrbio. “Iniciar o plantio aqui é trazer mais arborização, mais espécies para esse trecho das margens do rio, que chega até o Parque São Bartolomeu”, afirmou o gestor. A expectativa para 2026 é bater a marca de 2025, quando a secretaria ultrapassou 10 mil mudas plantadas.
Meta é superar 13 mil árvores plantadas
O diretor do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam), João Resch, reforçou a ambição. Ele revelou que a média anual de plantio é de 10 mil mudas, mas em 2025 o número chegou a 13 mil. “Superamos a meta e esperamos chegar a esse número em 2026”, pontuou. A estratégia do Plantio Chuva se baseia em um dado climático simples: o período de chuvas intensas em Salvador facilita a rega natural e assegura um enraizamento mais robusto. O resultado é uma taxa de sobrevivência maior para as mudas.
Mas eis o ponto: de nada adianta o esforço técnico sem o envolvimento de quem vive no local. Tanto Euler quanto Resch destacaram a participação dos moradores como fator crítico para o sucesso. “É importante agregar as pessoas, para que tenham o senso de pertencimento”, disse Resch. Ivan Euler fez um apelo direto: “Peço que a população entenda a importância das árvores, que não vandalize, não tire o arco de madeira que colocamos”. O apoio comunitário é a linha tênue entre um plantio simbólico e uma floresta que de fato cresce.
Projeto visa criar parque linear no entorno do rio
No chão, a operação tem um objetivo concreto. O gerente ambiental do Mané Dendê, Danilo Sobrinho, explicou que a proposta é desenvolver um parque linear no entorno do Rio Mané Dendê. “Essa ação vem somar com o que a gente já vem executando. Já plantamos aqui mais de 500 árvores”, detalhou. A fala de Sobrinho mostra que a ação de hoje não é um evento isolado, mas parte de um processo contínuo de requalificação da área.
Quem sente na pele a transformação é gente como a doméstica e ialorixá Cremilda Pereira, de 73 anos. Nascida e criada no bairro de Ilha Amarela, ela colocou a mão na massa durante o plantio. “Para mim, aqui está sendo uma vitória, porque aqui era só mato e esgoto, tudo de ruim”, celebrou. A história se repita, mas agora com um novo capítulo. O mato dá lugar a ipês, o esgoto cede espaço a um projeto de paisagismo. A pergunta que fica é se a comunidade conseguirá proteger esse novo verde da pressão urbana que antes dominava o local.