A Prefeitura de Lauro de Freitas foi a campo no bairro do Caji para desocupar postes e sinalizações. A meta é clara: retirar a parafernália de placas irregulares que tomou conta do espaço público e atrapalha a visão de quem circula.
A paisagem urbana de Lauro de Freitas ganha, vez ou outra, uma camada extra — e indesejada. São dezenas de placas, cartazes e fiações soltas que se agarram a postes e sinalizações como se fossem parte da mobília da cidade. No Caji, essa ocupação irregular acabou no alvo da Secretaria Municipal de Segurança, Defesa Civil e Ordem Pública (SSPLF).
A Operação Visão Limpa varreu a Avenida Professor Theócrito Batista e a Rua Chile. A ação é rotineira, mas reveladora. Ela expõe o eterno cabo de guerra entre a necessidade de se anunciar e o dever de preservar o espaço coletivo. A prefeitura, claro, age respaldada pela Lei Federal nº 9.504/97 e pelo Código de Posturas local, que há décadas proíbem esse tipo de fixação. Só que, no calor do dia a dia, a lei vira letra miúda atrás de um anúncio de conserto de celular.
Mas a questão vai muito além da estética. — A confusão visual é um risco.
Postes e placas de trânsito têm uma função vital: orientar pedestres e motoristas. Quando viram painéis de propaganda, essa função some. A visibilidade cai, a distração aumenta e, no fim, todo mundo perde em segurança e mobilidade. A operação, portanto, tenta devolver aos postes sua razão de ser.
A gestão municipal promete estender a faxina urbana para outros bairros. É um compromisso nobre, que toca diretamente na qualidade de vida. A pergunta que fica é se ações pontuais serão suficientes para educar e coibir — ou se, em algumas semanas, os postes do Caji estarão novamente cobertos de papel e fios, em mais um round desse jogo de gato e rato entre o poder público e os hábitos arraigados da cidade.
