O direito do consumidor à segurança e a integridade da saúde coletiva pautaram a deflagração da Operação Poison Drink nesta quinta-feira (8). A ação conjunta resultou no fechamento imediato de três estabelecimentos e na apreensão de um volume expressivo de mercadorias com indícios de adulteração ou procedência ilícita. O impacto mais imediato para a comunidade foi o cancelamento de um evento festivo programado para este sábado (10), em um clube particular no povoado de Tanque da Gameleira, após a prefeitura revogar o alvará de funcionamento devido às irregularidades detectadas.
A ofensiva policial não se limitou apenas à apreensão de ativos. Uma pessoa foi levada à delegacia para prestar depoimento, enquanto os órgãos de controle tributário e sanitário realizavam o pente-fino nos locais visitados. Esta postura enérgica das autoridades levanta uma questão central: até que ponto o mercado informal de destilados tem colocado em risco a vida dos foliões em festas regionais?
Raio-X das Apreensões e Interdições
O trabalho de campo concentrou-se no perímetro urbano de Cansanção e na zona rural. A força-tarefa, que uniu a Polícia Civil (19ª Coorpin e DT/Cansanção) a setores da Vigilância Epidemiológica e Tributária, contabilizou centenas de unidades de produtos destinados ao consumo humano sem as devidas garantias de origem.
Resumo da Operação:
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Total de itens retidos: 535 garrafas.
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Tipologia dos produtos: Whisky, gin, vodka e conhaque.
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Locais atingidos: Centro da cidade e Povoado de Tanque da Gameleira.
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Medida administrativa: 03 estabelecimentos lacrados por tempo indeterminado.
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Destino do material: Encaminhado para análise pericial no Departamento de Polícia Técnica (DPT).
A diversidade das bebidas apreendidas sugere um esquema de distribuição que atende desde pequenos bares até grandes eventos. A perícia técnica agora deve determinar se o conteúdo das garrafas apresenta substâncias nocivas ou se a fraude é puramente fiscal e de rotulagem.
Combate à Sonegação e Crimes contra a Economia Popular
Além do risco biológico, a Operação Poison Drink atacou a estrutura de sonegação fiscal no Centro Norte baiano. A comercialização de produtos sem nota fiscal ou com selos falsificados gera um prejuízo direto ao erário e estabelece uma concorrência desleal com o comerciante que atua dentro da legalidade.
O envolvimento do Setor de Tributos do município sinaliza que o monitoramento será intensificado em outras cidades da microrregião de Senhor do Bonfim. A estratégia é asfixiar o fluxo financeiro de grupos que lucram com a venda de álcool adulterado. Para o cidadão, o prejuízo pode ser irreversível; para o Estado, o foco é a ordem econômica e o cumprimento das normas sanitárias vigentes.
Vigilância Atenta em Salvador e Interior
Embora o epicentro desta operação tenha sido Cansanção, o cenário serve de alerta para Salvador e a Região Metropolitana. Com a proximidade de grandes eventos de verão e festas populares, o comércio de destilados atinge seu pico. A apreensão de mais de 500 garrafas no interior acende a luz amarela para os órgãos de fiscalização na capital baiana.
É recorrente que lotes irregulares circulem em depósitos de bebidas e festas de rua durante o período de alta temporada. A articulação entre a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária, como vista no interior, é o modelo que se espera para evitar intoxicações graves em grandes aglomerações, como as que ocorrem durante o Cortejo do Bonfim. O cidadão que identificar preços muito abaixo do mercado ou embalagens com sinais de violação deve utilizar o Disque Denúncia (181) para colaborar com a segurança de todos.
