O combate ao tráfico de entorpecentes no norte da Bahia ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (2). No município de Curaçá, a Polícia Militar desmantelou uma estrutura de cultivo que tentava passar despercebida sob a sombra de uma lavoura de milho. A descoberta de aproximadamente 22 mil pés de maconha na Agrovila 13 representa um prejuízo logístico e financeiro imediato para as redes criminosas que operam na região do Vale do São Francisco.
A ação foi executada por agentes da 45ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM). Ao chegarem ao local indicado por denúncias, os policiais encontraram o plantio em estágio avançado de desenvolvimento. A tática de utilizar culturas lícitas para esconder substâncias proibidas é uma prática antiga, mas que exige vigilância constante das forças de segurança rurais.
Destruição de Infraestrutura e Logística
Diferente de apreensões de carga pronta, a erradicação no campo atinge a base da cadeia produtiva do tráfico. A operação não se limitou a cortar as plantas; os militares destruíram todo o aparato técnico montado para sustentar o cultivo ilegal.
Abaixo, os itens inutilizados pela guarnição:
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Matéria-prima: Aproximadamente 22 mil espécimes de cannabis sativa.
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Irrigação: Sistema completo de encanação e bombas para transporte de água.
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Insumos: Estrutura de suporte para crescimento das plantas entre o milharal.
Todo o material foi incinerado ainda no terreno, seguindo o protocolo padrão para esse tipo de ocorrência. Uma pequena amostragem foi coletada e enviada para a delegacia da Polícia Civil da área para perícia e formalização do inquérito. No momento da incursão, nenhum suspeito estava presente na propriedade, o que levanta questionamentos sobre o sistema de monitoramento que esses grupos utilizam para evitar prisões em flagrante.
O Papel das Denúncias e a Resposta do Estado
A eficácia desta operação está diretamente ligada à participação da comunidade. O fato de a PM ter chegado ao local exato através de informações compartilhadas demonstra que a inteligência policial no interior baiano depende da confiança da população. Como editor, pontuo que o silêncio muitas vezes permite que essas roças se expandam, transformando áreas de agricultura familiar em redutos de criminalidade.
A Polícia Militar reforça que a presença ostensiva em áreas rurais de difícil acesso continua sendo um dos maiores desafios logísticos da corporação. Curaçá, com sua vasta extensão territorial, exige patrulhamento constante para evitar que o “Polígono da Maconha” se restabeleça com a força de décadas anteriores.
Reflexos na Segurança de Salvador e Região Metropolitana
Pode parecer que uma apreensão no sertão pouco afeta quem vive na capital ou em cidades como Lauro de Freitas. Contudo, a análise técnica mostra o contrário. Grandes volumes de entorpecentes produzidos no interior da Bahia têm como destino principal os centros urbanos de maior consumo.
A interrupção do fluxo de 22 mil pés de cannabis impede que centenas de quilos da droga cheguem às periferias de Salvador. O enfraquecimento financeiro desses produtores rurais ilícitos reduz o poder de fogo de facções que operam em escala estadual. Cada hectare incinerado no Sertão reflete, diretamente, na redução da pressão do tráfico nas ruas da nossa capital. Operações como esta se somam a outras ações de combate ao crime organizado, como a ofensiva em Maraú que desarticulou a gestão do tráfico, e a interceptação de carga de maconha em Mussurunga.
A ocorrência segue sob investigação da Polícia Civil, que agora trabalha para identificar os proprietários da terra e os responsáveis pelo investimento no plantio. A varredura remota é uma das tecnologias que podem auxiliar nesse tipo de monitoramento territorial. Outras operações no interior também têm focado em desarticular atividades ilícitas que sustentam o crime organizado.
