✦ Resumo

Polícia cumpre mandados por tortura e crimes financeiros em abrigo para mulheres em Jequié; diretoria foi afastada.

Policial quebrando cadiado de portão de abrigo
Foto: Divulgação/Ascom PCBA

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nesta segunda-feira (23 de março de 2026), a Operação Elas por Elas, cumprindo mandados de prisão temporária e busca e apreensão em Jequié. A ação investiga crimes de tortura, peculato, estelionato e lavagem de dinheiro em uma instituição que acolhia mulheres vítimas de violência doméstica. As diligências partem de um vídeo que mostra agressões físicas e psicológicas contra as acolhidas, incluindo uma adolescente de 17 anos.

Conforme a polícia, os indícios apontam para uma pessoa ligada à associação que aparece no material audiovisual praticando as agressões. A investigação também identificou possíveis irregularidades financeiras, com indícios de desvio de recursos públicos e movimentações suspeitas. Pra piorar, a instituição instalou câmeras de monitoramento em ambientes privados, o que configura violação à intimidade das mulheres que buscavam proteção no local.

A Justiça autorizou medidas duras. Determinou o afastamento cautelar de toda a diretoria da entidade e a nomeação de um interventor judicial para assumir a administração de forma provisória. A decisão também prevê o encaminhamento das possíveis vítimas para a rede de proteção social, com direito a acompanhamento especializado. O acesso a todas as informações da instituição foi liberado para os investigadores.

Rede de apoio vira cenário de violência

O caso expõe uma falha brutal no sistema. A associação, que deveria ser um porto seguro, é investigada por cometer os mesmos crimes que se propunha a combater. O vídeo com as agressões foi crucial para a investigação, mas as suspeitas vão além da violência física. A polícia quer saber para onde foram os recursos públicos destinados ao acolhimento.

As movimentações financeiras consideradas suspeitas e a instalação das câmeras em áreas privadas pintam um quadro de controle e opressão. Quem paga a conta é a mulher que, ao fugir da violência doméstica, acabou em um ambiente igualmente hostil.

Força-tarefa policial atua no sudoeste baiano

As diligências em Jequié contam com uma ampla força-tarefa. A operação é conduzida pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Jequié, com apoio de várias unidades. Participam a 9ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Jequié), a Deam de Vitória da Conquista e a Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE). O Departamento de Polícia Técnica (DPT) e delegacias territoriais de Jequié, Jaguaquara e Ipiaú também atuam, com coordenação da Diretoria Regional de Polícia do Interior (Dirpin/Sudoeste).

Agora, a interventoria judicial precisa garantir a segurança imediata das acolhidas. O que acontece com essas mulheres a partir de hoje? A operação expôs a ferida, mas a reconstrução da confiança no sistema de proteção será um caminho longo e necessário.

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Sobre o autor Lúcia L.F

Lúcia L.F. é co-fundadora e Diretora de Parcerias do BahiaBR.com. É uma empreendedora de mídia digital com mais de uma década de experiência, atuando em portais de notícias na Bahia desde 2011.