Operação Deméter erradica 180 mil pés de maconha em Bonito

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Operação Deméter erradica 180 mil pés de maconha em Bonito

P. Fonseca
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Operação Deméter erradica 180 mil pés de maconha em BonitoFonte/Crédito: Ascom - PCBA

A Polícia Civil da Bahia destruiu uma das maiores plantações de maconha já encontradas no estado nesta sexta-feira, 13 de março de 2026. A ação, batizada de Operação Deméter, resultou na erradicação de aproximadamente 180 mil pés de Cannabis sativa e na apreensão de uma tonelada da droga pronta para consumo em uma propriedade rural do município de Bonito, na Chapada Diamantina. Os suspeitos fugiram ao avistarem as equipes policiais, e as investigações agora buscam identificar os responsáveis pelo cultivo em larga escala.

Como foi a maior apreensão de maconha na Chapada Diamantina

Na manhã de sexta-feira, uma força-tarefa formada por agentes da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) de Irecê, do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), e da Delegacia Territorial de Cafarnaum adentrou a zona rural de Bonito. O que encontraram foi uma estrutura de cultivo profissional que ocupava cerca de três hectares de terra, equivalente a três campos de futebol oficial. O fato é que a operação, que também contou com o Grupo de Apoio Técnico e Tático à Investigação (GATTI/Chapada), revelou uma logística complexa, com barracos improvisados usados para a secagem e armazenamento da droga. Foram necessárias horas para que todo o plantio fosse erradicado e a tonelada de maconha apreendida fosse incinerada no local, sob a supervisão de peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia.

O que salta aos olhos é o volume. A reportagem do BahiaBR apurou que 180 mil pés representam um salto quantitativo alarmante em relação a apreensões anteriores na região. Para se ter ideia, uma operação de menor porte na mesma Chapada Diamantina, no ano passado, havia eliminado 40 mil pés. Especialistas ouvidos pelo portal há anos alertam que o interior baiano, com suas estradas de difícil acesso e vastas áreas remotas, se tornou alvo preferencial para o narcotráfico. O delegado titular da DTE/Irecê, unidade que coordena as investigações, afirmou que a operação “desarticula um importante centro de abastecimento para o mercado regional”.

Qual o impacto da droga apreendida no mercado ilegal

Uma tonelada de maconha pronta para distribuição. Esse é o dado que traduz a dimensão comercial da operação criminosa interrompida. Na ponta do lápis, considerando valores de mercado atuais, o montante apreendido poderia movimentar centenas de milhares de reais. A história se repete, mas em uma escala inédita. A Operação Deméter escancara como o narcotráfico se entranhou no interior, transformando áreas rurais pacatas em polos de produção de drogas para abastecer cidades maiores. Conforme relatórios do DENARC aos quais o BahiaBR teve acesso, há uma migração tática de grupos criminosos, que buscam reduzir custos e riscos longe dos grandes centros urbanos.

E a pergunta que fica: quem financiava essa estrutura? As investigações, que continuam em sigilo, focam agora em rastrear a propriedade da terra e a rede de distribuição. A fuga dos cultivadores no momento da chegada da polícia sugere um esquema de vigilância. Moradores de estradas vicinais ouvidos pela equipe do BahiaBR, que preferiram não se identificar, relataram movimentação incomum de veículos à noite na área nos últimos meses. “A gente desconfiava, mas não queria problema”, contou um deles.

O resultado da Operação Deméter é expressivo, mas especialistas em segurança pública alertam que é uma vitória tática dentro de uma guerra estratégica. A erradicação de plantios, embora crucial, é frequentemente comparada a cortar galhos de uma árvore cujas raízes financeiras e logísticas são profundas. O desafio, agora, é usar as evidências apreendidas para alcançar os comandantes do esquema, que raramente são encontrados no local do crime. A Polícia Civil da Bahia sinalizou que o trabalho de inteligência continua, cruzando dados para identificar os responsáveis e conter a reorganização do tráfico na região da Chapada Diamantina.

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