✦ Resumo

Operação na Bahia prende 11 e apreende fuzil e R$ 1 milhão em drogas em Feira de Santana.

Fonte/Crédito: ASCOM PCBA

Como a polícia desarticulou o esquema criminoso em Feira

A Polícia Civil da Bahia prendeu 11 pessoas e apreendeu um arsenal de guerra e drogas avaliado em cerca de R$ 1 milhão durante a Operação Cavalo de Troia, realizada nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, em Feira de Santana. A ação, que mobilizou aproximadamente 120 policiais, cumpriu 20 mandados de busca e apreensão com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, homicídios e crimes correlatos na cidade. O cerco ocorreu em bairros como Pedra Ferrada, Parque Ipê, Campo Limpo, Queimadinha e Alto do Rosário.

Fuzil na BR-324 foi a ponta do novelo

Tudo começou em junho de 2025. Uma ação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-324 interceptou uma carga com entorpecentes e, crucialmente, um fuzil. Esse foi o ponto de partida. A partir daí, o Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), por meio da 9ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (9ª DTE), iniciou um minucioso trabalho de inteligência. O fato é que a análise de dados e a investigação persistente permitiram mapear a estrutura do grupo, identificando integrantes e sua forma de atuação no município. Durante as buscas no Parque Ipê, os policiais prenderam uma mulher apontada como peça fundamental no apoio logístico. Na casa dela, a equipe encontrou um fuzil calibre 5.56 e uma grande quantidade de drogas prontas para o mercado. O detalhe que muda tudo: a apreensão incluiu uma pistola 9 mm equipada com seletor de rajada, um artefato de alta letalidade restrito a forças armadas.

O que foi apreendido na operação

O balanço final da operação impressiona pelas quantidades e pelo poderio bélico. Além das duas armas de guerra, os agentes recolheram munições de diversos calibres, quatro tabletes de crack, 11 tabletes de cocaína, quatro tabletes de maconha e porções da mesma droga já fracionadas para venda. A apreensão também registrou cinco mil comprimidos de ecstasy, 14 aparelhos celulares, uma motocicleta, balança de precisão, material para embalar drogas e dinheiro em espécie. O conjunto do material apreendido, segundo a Polícia Civil, tem um valor de mercado que gira em torno de R$ 1 milhão de reais. Todo esse arsenal agora segue para perícia técnica. A Coordenadoria de Polícia do Interior (1ª Coorpin) e o Denarc afirmam que a análise dos objetos e dos dados coletados nos celulares pode revelar novas conexões e desdobramentos. As investigações continuam abertas justamente para identificar outros envolvidos e a extensão completa da rede criminosa. A operação contou com um amplo esquema de forças especializadas. Para além do Denarc e da 1ª Coorpin, estiveram presentes equipes da Diretoria de Polícia do Interior Leste (Dirpin/Leste), do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoas (DHPP) e do Grupo de Apoio Técnico e Tático à Investigação (Gatti/Sertão). O BahiaBR acompanha há anos a atuação de facções na região e a resposta das forças de segurança, um jogo de xadrez que, nesta quinta-feira, resultou em uma significativa apreensão de armamento pesado.

E a pergunta que fica: a interdição de um fuzil na BR-324 foi suficiente para desmontar toda a operação? As investigações iniciadas há nove meses mostram que, sim, uma única pista pode ser decisiva. O desafio agora, conforme especialistas em segurança ouvidos pelo BahiaBR em coberturas anteriores, é impedir que a estrutura se reorganize. O material apreendido será a chave para entender os fluxos financeiros e as rotas de abastecimento, elementos cruciais para golpes futuros. Quem paga a conta é o morador quando o ciclo de violência não é rompido.

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Sobre o autor

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.