Óbito por metanol no interior baiano alerta para mercado clandestino de álcool

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Óbito por metanol no interior baiano alerta para mercado clandestino de álcool

Lúcia L.F
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Copo de bebida alcoólicaFoto de Jeremy Yap na Unsplash

O sistema de saúde pública da Bahia registrou, na última sexta-feira (2), o primeiro óbito decorrente do surto de intoxicação por metanol em Ribeira do Pombal. Vinícius Oliveira Vieira, 31 anos, faleceu no Hospital Couto Maia, em Salvador, após complicações severas causadas pelo agente químico. O caso expõe a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos de bebidas e aciona protocolos de fiscalização em todo o estado para conter o avanço de produtos adulterados.

Bloqueio sanitário e medidas de contingência

Diante do risco biológico e químico iminente, a gestão municipal de Ribeira do Pombal adotou uma postura de precaução extrema. Desde o último dia 31, vigora um decreto que interrompe o fluxo comercial de qualquer bebida destilada na região. A medida é drástica, porém necessária para isolar o lote contaminado e evitar novas admissões hospitalares.

A Vigilância Sanitária Municipal, apoiada pela Guarda Civil, intensificou as inspeções em depósitos e centros de distribuição. O foco operacional é o rastreio da origem do solvente encontrado nas amostras de sangue das vítimas e nas garrafas apreendidas pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT).

O percurso da substância e o perfil das vítimas

Diferente do que se poderia supor inicialmente, a exposição ao agente tóxico não ficou restrita a um único evento social. O quadro clínico de Vinícius, a primeira vítima fatal, indica que o produto nocivo já circulava no comércio local antes mesmo das celebrações de noivado que intoxicaram outros seis indivíduos.

A dinâmica da contaminação apresenta dados técnicos relevantes para a investigação:

Status do Paciente Quantidade Localização/Observação
Óbito Confirmado 01 Transferido para Salvador (Hosp. Couto Maia)
Internação Ativa 02 Permanecem sob cuidados na capital
Altas Médicas 04 Evolução favorável no Hosp. Geral Santa Tereza
Total de Expostos 07 Todos com diagnóstico confirmado via laudo do DPT

O metanol é um álcool industrial altamente tóxico para humanos. Sua ingestão pode causar cegueira irreversível, falência renal e depressão do sistema nervoso central. A rapidez na administração de antídotos específicos, coordenados pela Sesab e Ministério da Saúde, evitou um número maior de fatalidades entre os hospitalizados em Ribeira do Pombal.

Reflexos na segurança pública e saúde na Bahia

Este episódio acende um alerta amarelo para os municípios vizinhos e para a capital. Salvador e Lauro de Freitas, por concentrarem grandes centros de distribuição de bebidas, precisam reforçar os mecanismos de verificação de procedência. A presença de metanol em bebidas destinadas ao consumo humano não é um erro de fabricação comum, mas um indicativo técnico de adulteração criminosa, visando a redução de custos através do uso de solventes industriais.

As autoridades policiais agora buscam identificar se o depósito interditado em Ribeira do Pombal era o ponto final de uma rota de falsificação que pode ter ramificações em outras cidades baianas. O protocolo de segurança química exige que qualquer pessoa que tenha consumido destilados adquiridos na região nordeste do estado e apresente sintomas como visão turva ou dores abdominais agudas procure atendimento imediato.

Procedimento técnico de fiscalização

O rigor do laudo pericial foi o divisor de águas para as decisões administrativas. A identificação molecular do metanol pelo DPT forneceu o embasamento jurídico para a proibição temporária de vendas. Até o dia 5 de janeiro de 2026, o comércio de destilados na cidade permanece sob interdição total.

Questiona-se agora a origem da matéria-prima utilizada nesses “drinks”. A eficácia da resposta governamental será medida pela capacidade de retirar de circulação todo o estoque remanescente antes que o decreto expire. A colaboração da população é o fator crítico para que o balanço de danos não se amplie nos próximos dias.

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