Novo scanner francês no aeroporto de Salvador caça drogas ingeridas

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Novo scanner francês no aeroporto de Salvador caça drogas ingeridas

Lúcia L.F
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Agente da Polícia FederalFoto: Polícia Federal

A Polícia Federal baiana acaba de receber uma arma de alta tecnologia na guerra contra o tráfico aéreo: um scanner corporal que revela até drogas engolidas. A doação da polícia francesa chega em um momento de aumento recorde nas apreensões.

Salvador não está brincando no combate ao tráfico internacional de drogas. Na última quinta-feira (13), a Polícia Federal baiana passou a contar com um scanner corporal de última geração, uma doação direta da Polícia Nacional da França. O equipamento, um ultrassom portátil poderoso, será a nova arma secreta na fiscalização de passageiros no Aeroporto Internacional — e promete enxergar o que os olhos não veem.

A tecnologia é uma resposta direta a um cenário que só faz crescer. Os números são claros e alarmantes: só em 2025, até o dia 12 de novembro, a PF já prendeu 14 pessoas em flagrante e apreendeu 52 kg de entorpecentes no aeroporto. Um volume que já supera os 50 kg de todo o ano de 2024.

Mas a grande virada está nos detalhes que o scanner capta. A principal modalidade usada pelos traficantes é a que mais desafia a segurança: a ocultação corporal. Ingeridas ou inseridas em cavidades, as drogas transformam o corpo humano em uma espécie de contêiner clandestino e de altíssimo risco.

E é aí que a história ganha uma camada mais complexa e triste. O perfil de quem carrega a droga não é o do criminoso hardcore. São majoritariamente mulheres jovens, cis e trans, em situação de vulnerabilidade social extrema. Recrutadas por organizações criminosas, elas se tornam “mulas”, um elo frágil e descartável em uma corrente poderosa.

A questão é: o novo scanner serve para quê? Para prender, sim. Mas a PF joga um olhar mais estratégico. O foco é a proteção dessas vidas. No caso de uma cápsula ingerida se romper no organismo, a chance de morte por overdose é avassaladora — e não existe antídoto imediato. O equipamento surge, então, como uma ferramenta de intervenção antes da tragédia.

Oxente, a tecnologia chega como uma faca de dois gumes: de um lado, aperta o cerco ao tráfico internacional; do outro, tenta resgatar da linha da morte pessoas que o crime enxerga como meros números descartáveis. O desafio agora é equilibrar a repressão necessária com a percepção aguda da realidade social que alimenta o problema.

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