Em resumo

Ato de celebração da 19ª edição do Novembro Negro 2026 reuniu arte e ancestralidade na Concha Acústica, em Salvador, com homenagem a Antônio Pitanga e programação em todo o estado.

Novembro Negro 2026 começa na Concha Acústica com homenagem a Antônio Pitanga e programação em todo o estado
Foto: Naiade Bianchi/GOVBA

Uma adolescente de 14 anos entrou pela primeira vez na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, acompanhada das turmas do 8º e 9º ano do Colégio Estadual Marquês de Maricá, no bairro do Pau Miúdo. Maria Eduarda Castro assistiu ao ato que abriu a 19ª edição do Novembro Negro 2026, cujo tema é “Povo Negro em Movimento”. A entrada foi gratuita, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível destinado ao projeto Bahia sem Fome.

O evento é promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi). Ao som dos tambores da Orquestra Afrosinfônica, a Concha Acústica recebeu nesta quinta-feira (5) o Ato de Celebração do Novembro Negro 2026, que reuniu arte, memória e compromisso social no lançamento da programação de valorização da cultura afro-brasileira e fortalecimento das políticas públicas de promoção da igualdade racial.

Concerto e homenagem

O concerto “Revolta Malê”, sob a regência do maestro Ubiratan Marques, homenageou a trajetória e o legado do artista Antônio Pitanga. Ele destacou a importância do respeito às mulheres e agradeceu o ato de celebração. “Eu nasci no Pelourinho e isso tem um significado. Antes, lá não tinha nada. Mas, tinha cultura. É essa cultura ancestral que nos mantém de pé”, disse, emocionado.

A diretora do espetáculo, Day Sena, ressaltou a dimensão estética e histórica da apresentação e apontou o palco como espaço de disputa de narrativa e resgate da memória coletiva. Ela afirmou ser uma honra ter recebido o convite e a confiança da Sepromi para alinhavar a costura do espetáculo.

As participações de Mariene de Castro, Malê DeBalê, Lincoln Tornado, Toni Tornado, Graça Onasilê, Melly e Bando de Teatro Olodum revelaram um sentimento coletivo de pertencimento. Na plateia, a atmosfera foi marcada pela emoção de diferentes gerações, com a integração entre a música sinfônica e os ritmos ancestrais.

Gerações na plateia

A artesã Edmeia Coelho, de 72 anos, chegou na abertura dos portões e garantiu lugar na frente. Ela contou que a idade não é um limite para ela e se disse muito feliz pelo homenageado, descrito como um homem negro artista e ativista. Maria Eduarda, por sua vez, contou estar animada porque ama arte e destacou a importância da Revolta dos Malês para a história do Brasil. A adolescente lembrou que já fez uma peça sobre o tema com amigos e que segue aprendendo.

Programação pelo estado

O Novembro Negro 2026 reúne celebração, conscientização e ação política em uma programação ampla e integrada por todo o estado. O Festival Afrofuturismo 2026, no Pelourinho, ocorre de 19 a 21 de novembro, e o Festival Movaê, dedicado a empreendedorismo negro, inovação, cultura e economia criativa, nos dias 21 e 22 de novembro, conectando inovação e ancestralidade.

Durante a Micareta de Feira de Santana, entre 19 e 22 de novembro, estão previstas ações diretas de conscientização, combate ao racismo e atendimento presencial. A mobilização territorial e quilombola ganha destaque em municípios como Cachoeira, Inhambupe, Taperoá e Simões Filho, reafirmando a preservação dos saberes e das identidades ancestrais dessas comunidades.

No dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, as ruas recebem as tradicionais marchas e caminhadas históricas: a 18ª Lavagem da Estátua de Zumbi, a 47ª Marcha Zumbi e Dandara e a 23ª Caminhada da Liberdade. Para encerrar o mês, o diálogo se amplia para o cenário internacional, com o Seminário do Movimento Internacional Contra o Racismo e por Reparação nos dias 26 e 27 de novembro, culminando no Concerto Internacional Contra o Racismo e por Reparação, no Farol da Barra, no dia 28 de novembro.

Representatividade e política pública

A titular da Sepromi, Ângela Guimarães, afirmou que o evento reúne representações de comunidades quilombolas da Região Metropolitana e do Recôncavo, povos de terreiro e artistas negros inspirados na trajetória de Antônio Pitanga. Segundo ela, o ativismo comparece de forma plural, com mulheres negras, juventude negra e crianças que têm escrito uma literatura negra e chegado a diversos lugares. “Estamos felizes de dar essa largada com uma ação tão potente”, declarou.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.