A cor azul tomou conta do Centro de Lauro de Freitas nesta sexta-feira (14). Dezenas de homens participaram de uma caminhada para quebrar tabus e reforçar uma mensagem vital: cuidar da saúde é um ato de coragem.
A cena era incomum, mas necessária. Nesta sexta-feira, o fluxo de pessoas no Centro de Lauro de Freitas não era só de pressa e compromisso. Um rio azul de homens — professores, servidores, trabalhadores — seguiu do final de linha até a Praça da Matriz em uma só voz. O assunto, historicamente sussurrado, era gritado em forma de passos: a saúde do homem é prioridade.
Quebrando o Silêncio
A Caminhada do Novembro Azul, organizada pela Prefeitura através da Secretaria de Saúde (SESA), foi muito mais que um evento. Foi uma intervenção urbana contra um inimigo silencioso — o preconceito que afasta os homens dos postos de saúde. A mensagem era clara e direta, estampada nas camisas e no semblante dos participantes: o diagnóstico precoce do câncer de próstata salva vidas. A força visual do grupo mostrou que a cultura do “homem que não chora” está, finalmente, com os dias contados.
Fala da Gestão
Entre os participantes, o vice-prefeito Mateus Reis suava a camisa — literalmente — pela causa. “Estamos aqui para reforçar que se cuidar é um ato de amor à vida”, declarou, em meio à caminhada. A fala ecoava o sentimento da gestora da SESA, Elba Brito, que acompanhou todo o percurso. “A grande adesão que vimos hoje mostra que os homens estão entendendo a importância de se cuidar”, analisou, lembrando que a rede municipal está preparada para o acolhimento. — A prevenção é o melhor caminho.
Voz das Ruas
Mas a prova mais concreta do sucesso da ação veio de baixo para cima. O professor Francisco de Sales, 54 anos, morador do Centro, resumiu a mudança de mentalidade que se espalha, mesmo que a passos lentos. “É muito importante que as pessoas se conscientizem (…) sobretudo do público masculino, que historicamente não dá atenção à questão da saúde”, refletiu. O depoimento dele é um retrato do homem comum que está tentando virar a chave, enfrentando uma herança cultural tóxica.
E Agora?
A caminhada terminou, a música parou e a Praça da Matriz voltou ao seu ritmo habitual. Mas o Novembro Azul não acabou. As unidades de saúde do município seguem com uma programação intensa de atendimentos, palestras e consultas até o final do mês.
A questão que fica, e que todo homem precisa responder, é simples: a coragem mostrada na caminhada será suficiente para levá-lo até uma unidade de saúde? A vida, definitivamente, não pode esperar pelo próximo novembro.