✦ Resumo

Cooperativa baiana aumentou produção de chocolate para 1 tonelada ao mês com investimento de R$ 4 milhões, beneficiando 300 agricultores.

Mulher segurando assadeira com chocolate
Foto: André Frutuôso- Ascom/CAR

A Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia (Coopessba) transforma a cadeia do cacau no sul do estado com a marca Natucoa Chocolates. A iniciativa, que partiu de um investimento superior a R$ 4 milhões do Governo do Estado via CAR, impulsionou a produção artesanal de chocolates veganos e sem glúten em Ilhéus. O projeto fortalece a agricultura familiar, qualificando o cultivo da matéria-prima e ampliando a renda de 300 cooperados, com a produção mensal saltando de 200 quilos para mais de uma tonelada.

O crescimento mudou a realidade no campo. A agricultora associada Iraildes Lima viu sua produção de cacau saltar de cinco para cerca de 20 arrobas após receber assistência técnica e equipamentos. “Melhorou significativamente nossa renda, e possibilitou construir duas casas e dar estudos e cursos aos meus filhos”, relata. A lógica é clara: qualificar a base para agregar valor ao produto final. A cooperativa, fundada em 2008, já atuava com programas públicos como o PAA e o PNAE. A criação da Natucoa em 2018 foi o passo decisivo para industrializar e diversificar.

Do cacau qualificado ao chocolate premium

Nada foi deixado ao acaso. O investimento estadual viabilizou a estrutura completa: galpão, máquinas, capacitação e kits agrícolas. Os agricultores passaram por treinamentos em técnicas como clonagem e poda. O resultado é uma matéria-prima de padrão superior, essencial para os chocolates com teores entre 56% e 80% de cacau. A fábrica em Ilhéus agora processa o fruto colhido por dezenas de famílias, fechando um ciclo que vai da roça à prateleira com identidade própria.

Para o agricultor Josevaldo Santos, a virada foi pessoal e profissional. Ele deixou de ser gerente em outras fazendas para valorizar sua própria terra. “É muito gratificante ver o cacau produzido na minha terra se transformar em um chocolate de qualidade”, destaca. A diretora da Coopessba, Carine Assunção, reforça o propósito coletivo. “Os agricultores passam a compreender que fazem parte de todo o processo”, afirma. A renda aumentou. O mercado se abriu.

Geração de emprego e um portfólio diversificado

O impacto não ficou restrito à zona rural. Na cidade, a fábrica e a loja da Natucoa Chocolates geram oito empregos diretos. Vânia Santos, supervisora de produção, retornou a Ilhéus após se especializar fora. “Trabalhar com chocolate vegano também trouxe novos desafios”, ressalta. Ela convida: “Vale a pena experimentar. É um chocolate de qualidade e com um diferencial importante por vir da agricultura familiar”.

A linha de produtos cresceu junto com a capacidade produtiva. A cooperativa oferece um leque que vai além das tradicionais barras:

  • Geleias de mel de cacau
  • Nibs e pastas de cacau com licuri ou castanha
  • Drágeas e chocolate em pó

A conta fecha. O investimento estruturou a cadeia. A qualificação multiplicou a produtividade nas roças. E o chocolate artesanal, vegano e de origem garantida conquista espaço. O modelo prova que é possível unir campo e indústria com ganhos reais para quem planta.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.