Investimento recorde apoia 95 entidades no Carnaval 2026
Centenas de foliões ocuparam o Circuito Dodô na noite de segunda-feira (16) para celebrar o Bloco Afro Muzenza do Reggae. O desfile marcou os 45 anos da agremiação, que levou para a avenida sua mistura característica de samba, reggae e raízes africanas. O evento integra o programa Ouro Negro, da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA), que destina R$ 17 milhões a blocos afro, afoxés e grupos de samba neste carnaval. Conforme dados da Secult-BA, o Ouro Negro contempla 95 entidades em Salvador e em oito cidades do interior. A iniciativa financia a presença desses grupos nos circuitos oficiais. A artesã Maria da Conceição, que acompanha o Muzenza há três décadas, comentou a relevância do apoio. “O Ouro Negro é importante para que os blocos tenham oportunidade”, disse em relato ao portal.
Fundado em tributo a Bob Marley, bloco é símbolo de resistência
O Muzenza surgiu em 5 de maio de 1981 no bairro da Liberdade. A agremiação se consolidou como uma referência cultural pela fusão inovadora de ritmos. Jorge Santos, diretor-presidente do bloco, falou sobre a trajetória. “Mais um ano de Carnaval, nessa história de luta, resistência”, afirmou. Ele destacou a inspiração para manter o brilhantismo do grupo durante as comemorações do aniversário. O desfile no Circuito Dodô reforçou a estética e as letras que marcam a identidade da população negra. O bloco transformou sua apresentação em um espaço de celebração da ancestralidade e da cultura, semelhante ao que ocorre no Cortejo Afro e Alvorada. A energia contagiante do Muzenza reuniu um público diverso, evidenciando sua influência que ultrapassa fronteiras. O programa estadual assegura a manutenção dessas manifestações populares nos principais corredores da folia, contribuindo para que a cultura baiana brilhe com apoio recorde. O investimento possibilita a estruturação dos desfiles e a preservação de tradições. A presença do Muzenza e de outras agremiações similares ilustra a força da cultura negra no Carnaval da Bahia, que atrai milhões de turistas. Essa diversidade também é a alma do Carnaval do Centro Histórico, que vibra com diferentes expressões. A celebração da identidade negra é um marco, assim como no Cortejo Afro que encerrou o Carnaval com celebração do Benin. Essas iniciativas estatais são parte de um esforço maior de apoio, que também se reflete em outras áreas, como a testagem no Carnaval de Salvador, que cresceu 80% e elevou diagnósticos.
