O programa que já beneficiou 60 mil famílias em Salvador marcou presença mais uma vez no bairro do Rio Sena. Com 200 reformas entregues, a iniciativa já soma 826 moradias revitalizadas na comunidade, devolvendo dignidade e um novo começo para pessoas como Dona Maria Estelita.
A noite desta quinta-feira (19) no Rio Sena foi de festa e chave na mão. Não era inauguração de prédio novo, mas a celebração de um recomeço dentro de casas que já existiam — só que agora, revitalizadas. O programa Morar Melhor entregou 200 reformas no bairro, na sua terceira incursão por ali. Um número que soa abstrato até você bater à porta da Travessa Costa Santos e ouvir a história de Dona Maria Estelita.
Foi na varanda reformada — que hoje ela não cansa de “namorar” — que a moradora de 54 anos recebeu a comitiva do prefeito Bruno Reis. A casa, onde vive com a filha Vitória e o neto Eduardo, de 2 anos, passou por uma metamorfose completa. Saiu o telhado velho que deixava a chuva invadir a sala. Entraram piso cerâmico, reboco, pintura nova e um kit sanitário que trouxe mais do que higiene: trouxe saúde.
O prefeito não escondeu a emoção ao relatar o que ouviu da família. “Vitória me contou que Eduardo sofria muito com a umidade e precisou ser internado três vezes por complicações do mofo. Quando chovia, a mãe tinha que ficar com um balde na mão”, disse Reis. — Aqui, a reforma foi uma questão de saúde pública.
A fala de Dona Maria ecoa o que números não conseguem capturar. “Eu achava a minha casa muito feia e ficava triste, sonhando com um dia melhor. Agora, ela está linda. Todo mundo que passa ‘namora’ a minha varanda. E eu não me preocupo mais com a chuva”. O relato simples esconde uma profundidade de transformação: autoestima recuperada, dignidade restaurada.
Como o Morar Melhor escolhe onde agir
A escolha dos imóveis não é feita no chute. O programa — que completou uma década este ano com a marca impressionante de mais de 60 mil famílias atendidas — usa um critério técnico e sensível.
Equipes da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) cruzam dados do IBGE sobre regiões com alta concentração de casas de alvenaria sem revestimento com a realidade vista a olho nu. Priorizam áreas com maior número de pessoas abaixo da linha da pobreza e de mulheres chefes de família.
A regra é clara: o programa é para quem mais precisa. Famílias com renda acima de três salários-mínimos, imóveis em área de risco ou casas alugadas ficam de fora. O foco é a raiz: melhorar a vida de quem já está na comunidade, sem deslocar ninguém.
“O Morar Melhor tem essa capacidade de mudar a vida das pessoas sem que elas precisem mudar de endereço”, reforçou o prefeito.
Oxente, isso é política pública que funciona.
A pergunta que fica é: quando um programa desses, com uma década de estrada e resultados tangíveis, vai virar política de Estado, imune às trocas de gestão? Enquanto isso, a lição fica. Às vezes, a revolução não chega por um novo endereço. Ela simplesmente reforma a sua própria casa.