Decisão baseada em análise de custo-efetividade
A população com 80 anos ou mais e adultos imunocomprometidos não terão acesso à vacina contra herpes-zóster pelo Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde publicou portaria no Diário Oficial da União confirmando a não incorporação do imunizante. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) classificou a vacina como não custo-efetiva.
Orçamento bilionário inviabiliza inclusão
Conforme o relatório técnico da Conitec, o custo para vacinar 1,5 milhão de pacientes anualmente atingiria R$ 1,2 bilhão por ano. O documento projeta um investimento total de R$ 5,2 bilhões ao final de cinco anos. “O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas”, afirma o texto. A Conitec sinaliza que a análise pode ser revisitada caso surjam novos fatos que alterem os parâmetros econômicos. Esta decisão orçamentária ocorre em um contexto de congresso traça orçamento 2026 com superávit de R$ 34 bilhões, evidenciando as complexas escolhas na alocação de recursos públicos.
Doença registra milhares de atendimentos no SUS
O herpes-zóster, causado pela reativação do vírus da catapora, provoca lesões cutâneas dolorosas e pode levar a complicações graves. Dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais e Hospitalares do SUS mostram 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações entre 2008 e 2024. O Sistema de Informações sobre Mortalidade registrou 1.567 óbitos pela doença de 2007 a 2023, com 90% das vítimas acima de 50 anos. Pessoas com 80 anos ou mais concentram 53,4% dos mortos. A pressão sobre a rede de saúde é constante, como também foi observado durante a crise no hemocentro devido ao aumento de acidentes de férias.
Tratamento atual mantido para casos agudos
A rede pública continua oferecendo o tratamento estabelecido para a doença. Em casos leves, a conduta envolve medicamentos para dor e orientações de cuidados. Para pacientes idosos, imunossuprimidos ou com formas graves, o SUS disponibiliza o antiviral aciclovir. A decisão ministerial mantém este protocolo como a resposta do sistema à condição de saúde. Apesar da não incorporação desta vacina, o SUS segue avançando em outras frentes de imunização, como a recente chegada da vacina contra bronquiolite para grávidas e a campanha de dose de resgate contra o HPV para jovens em Salvador.
O foco em populações vulneráveis é uma prioridade do sistema, que também enfrenta o alerta nacional sobre o avanço da sífilis em gestantes. Investimentos na rede hospitalar, como os observados no Hospital do Oeste que avançou com novo tomógrafo, são fundamentais para dar suporte a todos esses tratamentos e atendimentos.
