✦ Resumo

Mercado eleva projeção da inflação para 4,36% em 2026, pressionada por tensões geopolíticas, mas estimativa ainda fica dentro da meta.

Corredor de um supermercado
Foto de Nathália Rosa na Unsplash

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial de 2026 subiu pela quarta semana seguida, passando de 4,31% para 4,36%. O dado consta no Boletim Focus desta segunda-feira (6), pesquisa semanal do Banco Central (BC) que coleta as expectativas de instituições financeiras. Apesar do ajuste, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ainda se mantém dentro do limite superior da meta, que é de 4,5%.

O cenário de tensão geopolítica pesa. As incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio são apontadas como um fator de pressão sobre os preços, influenciando as projeções. A inflação de março, que pode refletir os primeiros impactos desse conflito, será divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima quinta-feira (9).

Meta do BC e o papel da taxa Selic

Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta central de inflação é de 3%, com um intervalo de tolerância que vai de 1,5% a 4,5%. Para tentar conduzir o IPCA para esse centro, o Banco Central utiliza sua principal ferramenta: a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa vinha de um longo ciclo de alta. Só que o cenário externo complicou os planos.

Na última reunião, em março, o Copom reduziu a Selic em apenas 0,25 ponto percentual, metade do que muitos esperavam antes da escalada do conflito. O BC não descarta rever esse ciclo de baixa se for necessário. O próximo encontro decisivo acontece nos dias 28 e 29 de abril. A sombra da guerra no Oriente Médio, portanto, não só empurra as expectativas de inflação para cima, mas também freia a velocidade esperada dos cortes de juros no Brasil.

Projeções de longo prazo e o ritmo da economia

Olhando para frente, o mercado também revisou levemente para cima suas estimativas para os anos seguintes. Para 2027, a projeção do IPCA subiu de 3,84% para 3,85%. Para 2028 e 2029, as expectativas são de 3,6% e 3,5%, respectivamente. No campo da atividade econômica, porém, o otimismo é contido. A previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 ficou estagnada em 1,85%, segundo o Focus.

E o câmbio? A previsão para a cotação do dólar ao final deste ano segue em R$ 5,40. A moeda norte-americana deve operar em R$ 5,45 no fechamento de 2027. O dado mostra que, por ora, o mercado não prevê uma turbulência extrema no câmbio, mas mantém uma desvalorização gradual do real no horizonte. O que significa que produtos importados e commodities cotadas em dólar seguem com um piso de preços elevado para o consumidor brasileiro.

O resultado é um dilema complexo para os formuladores de política econômica. De um lado, a inflação pressionada por fatores externos e a necessidade de ancorar expectativas. De outro, uma economia que precisa de estímulo para crescer acima do patamar medíocre. A conta, como sempre, chega no bolso das pessoas. A pergunta que fica é até quando o conflito no Oriente Médio seguirá ditando o ritmo da nossa política de juros e do custo de vida aqui dentro.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.