✦ Resumo

A Maternidade Alan Sanches, com 198 leitos e R$ 100 milhões em tecnologia, será inaugurada em Salvador no primeiro semestre de 2026.

Foto: Bruno Concha / Secom PMS

A primeira maternidade municipal de Salvador, a Maternidade e Hospital da Criança (MHC) Deputado Alan Sanches, está com as obras na fase final e deve ser inaugurada ainda no primeiro semestre de 2026. Localizada no antigo Hospital Salvador, no bairro da Federação, a unidade de 12 mil m² e nove pavimentos representa um investimento superior a R$ 100 milhões da Prefeitura. A estrutura promete revolucionar o atendimento materno-infantil na capital ao concentrar 198 leitos, incluindo UTIs adulto, pediátrica e neonatal, e serviços de média e alta complexidade que hoje demandam deslocamento para outras unidades.

O que a nova maternidade de Salvador vai oferecer?

O cronograma atual foca nas adequações internas necessárias para a habilitação junto ao Ministério da Saúde, etapa crucial para liberar repasses federais que custearão o funcionamento. A reportagem do BahiaBR esteve no local e constatou o avanço nas áreas clínicas. Praticamente concluídos estão o Centro Cirúrgico, o Centro Obstétrico, as Emergências Obstétrica e Pediátrica e o moderno Centro de Bioimagem. O problema é que alguns setores estratégicos ainda demandam ajustes na infraestrutura. A Central de Materiais Esterilizados (CME), o Banco de Leite Humano e o Serviço de Nutrição, por exemplo, aguardam instalações específicas para equipamentos de grande porte e para atender às rigorosas normas da Rede Alyne, protocolo federal que visa reduzir a mortalidade materna.

O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Alves, afirma que a obra segue o planejado. “Cada etapa é acompanhada com muito rigor técnico. Este não é apenas um prédio, é um investimento em cuidado”, disse o gestor à equipe do BahiaBR. O fato é que a expectativa é grande. A unidade nasce para ser referência. Com 198 leitos e tecnologia de ponta, a MHC Alan Sanches tem a missão de frear a peregrinação de gestantes e crianças por hospitais superlotados e descentralizar o acesso a cuidados complexos em Salvador. A história se repete: há décadas a região metropolitana sofre com a escassez de leitos públicos especializados em saúde da mulher e da criança.

Investimento em tecnologia pode mudar o jogo da saúde pública

Olha o dado: o Centro de Bioimagem será equipado com ressonância magnética e tomografia computadorizada de alta definição. As UTIs receberão incubadoras, monitores multiparamétricos e respiradores de última geração. Acontece que tecnologia exige manutenção e pessoal qualificado. O orçamento da SMS para 2025, analisado pelo BahiaBR, já prevê recursos para a formação de equipes, mas o desafio da gestão será sustentar essa operação de alto custo. O que pouca gente sabe é que a ativação completa será em fases. Enquanto a maternidade e a UTI neonatal devem funcionar já na abertura, a internação pediátrica e a emergência infantil estão previstas apenas para uma terceira etapa, conforme o projeto original.

Na ponta do lápis, a obra tenta corrigir um déficit histórico. Dados do DataSUS mostram que, entre 2019 e 2023, mais de 30% das gestantes de Salvador tiveram que buscar atendimento de média e alta complexidade fora de seu município de residência. A nova unidade na Federação, região central e de fácil acesso, pode alterar esse fluxo. Pra se ter ideia, a estrutura inclui um Centro de Parto Normal (CPN) e alojamento conjunto, seguindo diretrizes de humanização. O paisagismo e a comunicação visual, em execução, buscam criar um ambiente menos hospitalar e mais acolhedor.

E a pergunta que fica: a entrega no primeiro semestre de 2026 será cumprida? O secretário Rodrigo Alves garante que sim, baseado no ritmo atual. A equipe técnica da SMS trabalha agora na aquisição e montagem dos mais de 2 mil itens de equipamentos. O prazo é curto. A população aguarda. Se tudo sair como planejado, Salvador finalmente terá um equipamento público à altura da demanda por saúde materno-infantil. Quem paga a conta é o morador, mas o retorno, neste caso, pode ser medido em vidas preservadas.

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