✦ Resumo

Lula critica colonialismo e ONU em cúpula, apontando gastos de US$ 2,7 trilhões em guerras enquanto milhões passam fome.

Presidente Lula
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em discurso na 10ª Cúpula da Celac e do I Fórum Celac-África, em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou o que chamou de retomada da política colonialista por parte dos Estados Unidos. Ele criticou o uso da força por nações ricas para intimidar a soberania de países da América Latina, Caribe e África, citando casos como Cuba, Venezuela e Bolívia. Lula questionou a legitimidade de invasões e a falta de ação do Conselho de Segurança da ONU, que, segundo ele, falha em conter conflitos enquanto seus membros permanentes alimentam guerras.

“Não é possível alguém achar que é dono dos outros países”, disparou o presidente. Ele foi direto: “O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”. A fala, proferida neste sábado (21), ecoou no plenário que reunia chefes de Estado de regiões com histórico colonial. Lula apontou para a pressão sobre a Bolívia pela venda de minerais críticos como o lítio, essenciais para baterias de carros elétricos. A chance de desenvolvimento, argumentou, não pode ser novamente saqueada.

O presidente foi além da retórica e trouxe um dado concreto que ilustra sua crítica à ordem global. Enquanto se gastou US$ 2,7 trilhões em armas e guerras no ano passado, conforme seus números, 630 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo. A conta não fecha. Milhões ficam sem luz, sem educação, sem pátria. O contraste é brutal: a máquina de guerra engole trilhões enquanto a fome, silenciosa, consome continentes. Para Lula, essa é a guerra real a ser vencida.

O Conselho de Segurança e a crise de legitimidade

Lula mirou o coração do sistema internacional. “O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou. Ele citou uma sequência de falhas: Gaza, Líbia, Iraque, Ucrânia. A pergunta que ficou no ar foi incômoda: quando a ONU vai se reformar? Por que não se renovam seus membros permanentes? Por que América Latina e África não têm assento à altura? A estrutura pós-1945, defendeu, não reflete o mundo de 2025.

O argumento tem dois lados. De um, a defesa de um multilateralismo mais justo e representativo, onde vozes historicamente marginalizadas possam decidir sobre os conflitos que as afetam. Do outro, a realidade geopolítica de um sistema onde o poder de veto é um trunfo estratégico que poucos abrem mão. A reforma da ONU é um debate antigo, mas a urgência dada por Lula vem carregada dos conflitos atuais. A inação, ele sugere, tem um preço humano inaceitável.

Cooperação Sul-Sul versus pressão geopolítica

O fórum em Bogotá não era apenas palco de críticas. Lula defendeu a cooperação entre os 55 países da União Africana e os 33 da Celac – um bloco de cerca de 2,2 bilhões de pessoas. A ideia é clara: unir forças para transformar recursos naturais em desenvolvimento tecnológico próprio, não apenas em exportação de matéria-prima. “Precisamos manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas alheias”, declarou. É um chamado à autonomia.

Mas eis o ponto: essa autonomia esbarra em interesses econômicos globais gigantescos. A transição energética mundial corre contra o relógio e demanda minerais que estão justamente nesses países. A Bolívia, com suas vastas reservas de lítio, é o exemplo vivo do dilema. Ceder à pressão por exportação rápida ou investir tempo e risco para industrializar localmente? A primeira opção traz receita imediata. A segunda promete soberania futura – se houver tecnologia, capital e resistência à pressão externa. A história se repete, só que com novos minérios.

Agora é com você: a crítica de Lula ao colonialismo e à ONU é um alerta necessário para reequilibrar o poder global, ou é uma retórica que ignora as complexidades da segurança internacional e das responsabilidades das grandes potências? Deixe sua opinião nos comentários.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.