A educação infantil foi apontada como estratégia central de prevenção à violência contra a mulher durante o lançamento do livro “A Casa de Dona Rosa”, nesta quinta-feira (26), na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Escrito pela delegada Gabriela Garrido, a obra foi apresentada em evento que reuniu autoridades e representantes de instituições de proteção às mulheres, com a presença da delegada-geral adjunta da Polícia Civil, Márcia Pereira, que representou a corporação.
Márcia Pereira destacou o valor de iniciativas que promovam a conscientização desde os primeiros anos. “A importância de iniciativas que promovam a conscientização desde cedo, contribuindo para a construção de uma sociedade mais informada e engajada no enfrentamento à violência contra a mulher”, afirmou a delegada-geral adjunta. O evento na Alba reforçou a ideia de que a mudança cultural começa na base.
A autora, Gabriela Garrido, não é novata na luta. Ela já comandou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Vitória da Conquista, onde seu trabalho no acolhimento a vítimas e na defesa de direitos ganhou relevância. Agora, ela canaliza essa experiência para as páginas de um livro infantil. A pergunta que fica: uma história para crianças pode ser uma arma contra a violência de gênero?
Da delegacia para as páginas: uma ferramenta pedagógica
O livro não nasceu de um impulso criativo isolado. Conforme a autora, a obra foi desenvolvida a partir de pesquisas e passou por uma revisão pedagógica criteriosa. O processo incluiu um teste direto com seu público-alvo: as crianças. E a resposta, segundo Gabriela Garrido, foi positiva. O objetivo é claro: tratar um tema complexo com sensibilidade e linguagem acessível.
Pra se ter ideia, a proposta vai além da simples leitura. A obra surge como uma ferramenta educativa que pretende semear, na fase mais formativa da vida, os conceitos de respeito e igualdade, atacando o problema pela raiz. A estratégia é prevenir, não apenas remediar. Enquanto as delegacias lidam com as consequências da violência, “A Casa de Dona Rosa” tenta evitar que ela aconteça.
O combate que começa na infância
O lançamento na Alba simboliza um reconhecimento institucional dessa nova frente de batalha. A presença da alta cúpula da Polícia Civil em um evento cultural sobre educação infantil sinaliza uma visão ampliada do enfrentamento à violência. Não basta apenas prender e punir. É preciso mudar uma cultura.
O trabalho de Gabriela Garrido em Vitória da Conquista já mostrava essa preocupação com o acolhimento e a ruptura do ciclo de violência. Agora, com o livro, ela leva essa missão para um estágio ainda anterior. A história se repete, mas a aposta é que, com novas ferramentas, o fim pode ser diferente. A conta da violência de gênero é alta para a sociedade, e iniciativas como esta buscam, no longo prazo, reduzir o preço pago principalmente pelas mulheres.