✦ Resumo

Salvador oferece ônibus gratuito durante paralisação do Metrô para obras do viaduto do Shopping da Bahia.

Avenida ACM
Foto: Betto Jr. / Secom PMS

A prefeitura de Salvador tenta minimizar a dor de cabeça para milhares de passageiros. Enquanto o Metrô para por 48 horas para obras do novo viaduto do Shopping da Bahia, uma linha especial de ônibus, gratuita, fará a ponte entre os trilhos interrompidos.

Salvador conhece bem o ritmo das obras que prometem melhorar a cidade, mas que, no curto prazo, exigem uma verdadeira ginástica urbana da população. Nos dias 12 e 13 de dezembro, será a vez dos usuários do Metrô sentirem na pele esse transtorno calculado. Por motivo de segurança — e para o avanço das obras do novo viaduto que ligará o Shopping da Bahia ao Detran —, as estações Detran, Rodoviária e Pernambués ficarão no escuro das 22h até a meia-noite.

Nesse intervalo, um guindaste monstruoso tomará conta da lateral da Rodoviária. Sua missão é içarvigas pesadas, o esqueleto de aço da nova via. Enquanto o céu ganha essa estrutura, o chão fica sem trilhos.

A resposta da Secretaria de Mobilidade (Semob) é uma operação de guerra. Uma linha de ônibus gratuita vai ligar o Terminal Acesso Norte ao Imbuí, no mesmo horário da paralisação, das 22h às 0h35. O trajeto é desenrolado para cobrir o buraco deixado pelo trem: passa pela Rodoviária (Plataforma C), pelo Pernambués (pontos do Atacadão e Atakarejo) e para no Imbuí, no ponto do Fórum, na sombra da passarela do metrô.

A gestão municipal vende a iniciativa como um “compromisso” para minimizar impactos. E de fato, é uma alternativa necessária. Agentes da Semob e da concessionária Integra estarão nos pontos, tentando dar um mínimo de ordem ao que promete ser uma noite de correria e perguntas.

Mas a pergunta que fica é mais funda. Um serviço gratuito por duas noites resolve o imediato — e é louvável. Só que revela, mais uma vez, a fragilidade de um sistema. Quando um trecho crucial do metrô para, a cidade precisa montar um quebra-galho sobre rodas. A promessa é de um viaduto para fluidizar o trânsito. O preço, por enquanto, é a interrupção do único transporte de massa rápido da região.

Uma solução rápida para um problema crônico: a falta de redundância e de redes alternativas de transporte eficientes na capital. A linha gratuita é o remédio para o sintoma de agora. O desafio de curar a doença da mobilidade, esse segue em obras.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.