A Prefeitura de Lauro de Freitas reativou em 2025 o serviço de curativos para feridas complexas em todas as suas Unidades de Saúde da Família (USFs). A iniciativa, coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde (SESA), tem como foco o tratamento de lesões de difícil cicatrização, como úlceras venosas e pé diabético, diretamente na atenção básica.
Como funciona o atendimento de curativos no município?
O serviço não se limita a trocas simples de bandagem. Ele utiliza tecnologias específicas para promover a cicatrização e é realizado por enfermeiros com especialização no tratamento de feridas. A gerente da USF Espaço Cidadão, Erica Gonzales, explicou à equipe do BahiaBR que o polo de curativo representa um compromisso da gestão. “Nossos serviços de atenção primária sempre são ofertados de forma humanizada”, afirmou Gonzales. O objetivo é claro: interceptar problemas que, sem o cuidado correto na porta de entrada do sistema, podem evoluir para infecções graves, amputações e internações hospitalares dispendiosas.
Pra se ter ideia, o custo de um tratamento hospitalar para uma ferida crônica pode superar R$ 30 mil, segundo estimativas de associações de saúde. Na ponta do lápis, investir na atenção básica sai mais barato que encomenda para os cofres públicos e, principalmente, poupa sofrimento ao paciente. Moradores ouvidos pela equipe na porta da unidade relataram alívio por não precisarem mais se deslocar para centros especializados distantes para um cuidado que agora encontram perto de casa.
Qual o impacto real dessa política de saúde?
A reativação do serviço em 2025, alcançando 100% da rede de USFs, tenta reverter um histórico de carências. Dados do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) já haviam apontado, em relatórios anteriores, desafios na cobertura e na resolutividade da atenção primária na região. Agora, a estratégia joga a toalha no colo da prevenção, tentando frear complicações antes que elas virem caso de polícia nos prontos-socorros superlotados.
O fato é que a medida não opera sozinha. Ela se soma a outras ações da SESA para tentar fortalecer o primeiro elo da rede. A questão é outra: a manutenção da qualidade e a garantia de insumos de forma permanente são o próximo desafio.
E a pergunta que fica: a iniciativa vai conseguir reduzir as filas por procedimentos de média complexidade? A história se repete em muitos municípios, onde boas ideias esbarram na falta de recursos a longo prazo. O tempo, e os indicadores de saúde que virão, dirão se Lauro de Freitas encontrou um caminho para desafogar seu sistema e, de fato, cuidar melhor de sua gente desde a raiz do problema.