O número de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) está em alta em todo o Brasil, impulsionado principalmente pelo vírus da Influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR). A constatação é do mais recente boletim InfoGripe, divulgado nesta sexta-feira (27) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta sinal de crescimento nas últimas seis semanas em todas as unidades da federação. A pesquisadora do InfoGripe, Tatiana Portella, alerta para a necessidade urgente de vacinação dos grupos de risco para frear o avanço acelerado das internações.
O cenário é de alerta nacional. Todos os estados apresentam tendência de alta de longo prazo para SRAG, segundo o monitoramento. Enquanto o rinovírus lidera os casos entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, a Influenza A concentra sua incidência em dois extremos da vida: crianças de até 4 anos e idosos. É justamente entre os mais velhos que a doença revela sua face mais grave. A mortalidade por SRAG nessa faixa etária tem como principais agentes a Covid-19 e a influenza A.
Vacinação é a principal arma para frear hospitalizações
Tatiana Portella foi direta. Ela afirma que é essencial que pessoas de maior risco procurem os postos de saúde. Idosos, imunocomprometidos e crianças estão no topo da lista. A campanha de vacinação contra a gripe segue em andamento, e a adesão desses grupos é vista como a barreira mais eficaz contra o crescimento das internações. A conta da baixa cobertura vacinal é paga com leitos ocupados.
E a recomendação não para na agulha. A pesquisadora da Fiocruz também reforça o uso de máscara em ambientes fechados e com aglomeração, especialmente para quem integra os grupos vulneráveis. O cuidado deve ser redobrado por quem apresenta sintomas. “Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é fazer isolamento dentro de casa”, disse Portella. Ela completou: “mas, se não for possível, recomendamos sair usando máscara para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”.
Onde a doença mais mata e por quê
Os dados do InfoGripe desenham um mapa claro de risco. A incidência e a mortalidade por SRAG são mais elevadas nas crianças pequenas, puxadas principalmente por VSR e rinovírus. Já o maior número de mortes se concentra entre os idosos, um grupo onde a Covid-19 e a influenza A disputam a triste liderança como causas principais. A Covid-19, por sua vez, mantém alta incidência tanto em crianças pequenas quanto nos mais velhos, mostrando que o vírus ainda circula com força e exige atenção.
O resultado é um sistema de saúde sob pressão em múltiplas frentes. Com a circulação simultânea de vários vírus respiratórios, a orientação das autoridades sanitárias se apoia em um tripé: vacinar-se, usar máscara em situações de risco e adotar isolamento ao primeiro sinal de infecção. A pergunta que fica é se a mensagem vai chegar a tempo de evitar um colapso maior nas próximas semanas, tradicionalmente mais frias e secas em grande parte do país.