✦ Resumo

Influenza A causa 27,4% dos casos de SRAG no Brasil, com alerta de risco e alta em várias regiões, exigindo urgência na vacinação de grupos prioritários.

Seringa sobre a mesa
Image: Triggermouse from Pixabay

Os casos de influenza A seguem em crescimento no Brasil, com a maioria dos estados das regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste em alerta por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quarta-feira (1º), aponta que a situação representa risco ou alto risco com sinal de crescimento. O vírus, junto ao vírus sincicial respiratório (VSR) e ao rinovírus, é uma das principais causas dessas ocorrências graves, que podem levar a óbito.

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, os dados são claros. Entre os casos positivos de SRAG, 27,4% foram de influenza A. O rinovírus lidera, com 45,3% das ocorrências, seguido por 17,7% de VSR e 7,3% de Sars-CoV-2. A história se repete nos óbitos. Entre os registros positivos para vírus respiratórios no mesmo período, a influenza A foi responsável por 36,9% das mortes. O rinovírus aparece em 30% dos casos e a Covid-19 em 25,6%.

O estudo é referente à Semana Epidemiológica 12, que vai de 22 a 28 de março. Diante do cenário, a imunização se torna urgente. A pesquisadora da Fiocruz Tatiana Portella foi direta: “É fundamental que pessoas dos grupos prioritários como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação estejam em dia com a vacina contra a influenza”.

Campanha de vacinação e medidas de proteção

A Campanha Nacional de Vacinação contra a influenza, que começou no sábado (28), é uma ferramenta crucial. A ação do Ministério da Saúde, com estados e municípios, segue até 30 de maio. A população pode procurar a imunização gratuita nas Unidades Básicas de Saúde. Portella ainda destacou a importância da vacinação contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana, garantindo proteção aos recém-nascidos.

E as recomendações não param na vacina. A pesquisadora orienta o uso de máscaras em locais fechados e aglomerados, principalmente para grupos de risco. Lavar as mãos com frequência é outra medida essencial. Em caso de sintomas, o ideal é o isolamento; se não for possível, sair de casa usando máscara de boa qualidade, como PFF2 ou N95. A conta da negligência pode ser alta.

O que os dados de óbitos revelam

Os números dos óbitos escancaram a gravidade. Além dos 36,9% ligados à influenza A, o vírus sincicial respiratório (VSR) foi registrado em 5,9% das mortes com resultado positivo. A influenza B aparece em 2,5% dos óbitos. O dado mostra que, embora o rinovírus seja frequente nos casos, sua letalidade é menor comparada à da influenza A no período analisado. O alerta da Fiocruz é um sinal amarelo que não pode ser ignorado.

Agora repare: a campanha de vacinação está em curso. O acesso é gratuito. A pergunta que fica é se a adesão será suficiente para frear essa curva de crescimento antes que o inverno, tradicionalmente crítico para doenças respiratórias, chegue com força total.

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Sobre o autor P. Fonseca

P. Fonseca é o fundador e editor-chefe do BahiaBR.com. Com mais de 20 anos de experiência em publicação digital e criação de conteúdo — desde os primórdios de plataformas como Blogger, MySpace e Orkut — P.